alerta3

Vespa das galhas do castanheiro! ALERTA!

Já dedicámos um “post” à vespa das galhas do castanheiro (Dryocosmus kuriphilus), mas considerando a gravidade da situação alertamos de novo para a necessidade de detectar esta espécie invasora o mais cedo possível de forma a minimizar os efeitos negativos nos castanheiros e na produção de castanha. A janela temporal para a detecção precoce está a estreitar-se porque as vespas vão começar a sair das galhas (meados Maio até fim de Julho) e a pôr ovos, aumentando a área afectada. Para diminuir a expansão é essencial sensibilizar os produtores para que observem os castanheiros (especialmente árvores jovens) de forma a detectarem as galhas, destruí-las no caso de existirem, e a comunicarem essa informação aos Serviços Regionais de Agricultura da sua região.

É essencial a colaboração de todos para fazer esta mensagem chegar a mais pessoas!

 

A vespa das galhas do castanheiro é um pequeno insecto formador de galhas originário da China; este insecto é muito específico e forma galhas apenas em espécies do género Castanea, entre elas Castanea sativa, o nosso castanheiro. Tem um ciclo de vida anual e na Primavera são visíveis os sintomas na árvore, i.e., galhas (semelhantes aos bugalhos dos carvalhos) que têm as larvas lá dentro. As galhas são verde-claras no início e passam depois a cor rosada. Entre meados de Maio e final de Julho as vespas saem das galhas, põem ovos, que vão levar ao desenvolvimento de galhas que serão visíveis na Primavera seguinte. Vejam este pequeno vídeo bastante elucidativo, feito pela Plant Protection Service of Regione Lombardia (DG Agriculture), Itália.

Segundo informação da Circular nº 7/2015 dos Avisos Agrícolas, da Estação de Avisos de Entre Douro e Minho:

“Foi realizada a primeira largada dos parasitóides Torymus sinensis, no dia 24 de Abril, nas áreas demarcadas em que se detectou a presença da praga em 2014. O sucesso desta acção requer a colaboração dos produtores de castanha, sobretudo não aplicando pesticidas nos soutos afectados pela praga ou nas suas imediações, depois da largada dos parasitóides. (…) é completamente desaconselhada e inútil a aplicação de insecticidas contra esta nova praga.

Prevê-se este ano uma grande expansão das áreas atacadas, pelo que agradecemos aos senhores produtores que comuniquem aos serviços da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte a presença de galhas desta praga nos castanheiros.”

 

Torymus sinensis é um agente de controlo biológico que está a ser utilizado em vários países (e.g., França, Itália, Japão, EUA) para controlar a vespa das galhas do castanheiro. De forma muito simplificada, este parasitóide é um pequeno insecto que ao ser libertado (vídeo) vai parasitar a vespa que promove a formação das galhas nos castanheiros, contribuindo para que menos vespas consigam formar as galhas. A utilização deste agente biológico foi a forma mais efectiva, encontrada pelas autoridades competentes, para controlar esta praga. Ainda assim, há estudos que alertam para a importância de análises de risco mais detalhadas de forma a compreender quais os eventuais impactes que este parasitóide pode ter noutras espécies (e.g., atingir também as galhas dos carvalhos ou de outras espécies).

No caso da introdução de organismos exóticos para o controlo biológico de plantas invasoras, como o caso do agente que estamos a estudar para controlar acácia-de-espigas, estudos prévios e análises de risco detalhadas são normalmente efectuados tornando os processos mais rigorosos (e também morosos).

 

Além do uso de controlo biológico, há medidas preventivas básicas que devem também ser postas em prática:

● Em pomares jovens, observar cuidadosamente as plantas a partir da rebentação. Eliminar os ramos com galhas e queimá-los.
Não utilizar porta-enxertos e plantas infectadas.
● Adquirir plantas produzidas em regiões onde ainda não se tenha detectado esta praga.
● Utilizar variedades tolerantes.

É muito importante que a presença destas galhas seja comunicada aos serviços competentes de forma a prevenir e controlar a expansão desta espécie! Os contactos das diferentes delegações são:

contactosdryoscosmus abr15

 

A vespa das galhas do castanheiro foi detectado em Portugal (Entre Douro e Minho) em 2014 e foi delineado um plano de acção para o seu controlo. Em Abril de 2015, tanto quanto sabemos, a sua presença já tinha sido confirmada em mais de 70 freguesias da Região de Entre Douro e Minho (tabela ao lado), e nos concelhos de Bragança, Lamego, Macedo de Cavaleiros, Sernancelhe,  Trancoso e Valpaços. Esta lista está provavelmente incompleta (!), pelo que se é produtor de castanheiros em áreas fora destes concelhos deve também observá-los e pôr em prática as medidas preventivas. Se detectar estas galhas deve comunicar essa informação «imediatamente» aos Serviços Regionais de Agricultura da sua região.

 

Actualização: segundo a DRAPN, em finais de Maio este era o ponto da situação, mas em Junho nós encontrámos galhas de castanheiro no concelho da Mealhada, muito mais a sul.

galhas castanheiro

 

 

 

 

 

 

Links para mais informação neste artigo.

 

Nota: Parte da informação disponível neste artigo foi adaptada a partir da Circular nº 7/2015 dos Avisos Agrícolas, da Estação de Avisos de Entre Douro e Minho, assim como da ficha de Divulgação anexa. Com excepção das fotos mais abaixo que são nossas, as fotos das galhas são de Dinis Ponteira.

Etiquetas:, , , , ,

    Comments

    1. Isménia Sousa
      Novembro 2nd

      Consultei o site por ter ouvido na RTP 2, no programa “Sociedade Civil” de 02.11 2016 dedicado à castanha, a referência à vespa das galhas do castanheiro.

      A visualização do vídeo foi muito útil também. Não sou agricultora, mas defendo a existência de um programa de 30 minutos semanais na RTP 1, 2 e 3, versando a temática agrícola. Infelizmente, para estes alertas de disseminação de agentes nefastos para as árvores e plantas, só a Internet não é suficiente. Julgo que a informação televisiva é mais abrangente e complementar da outra.

      Haja alguém que valorize a comunicação televisiva na área agrícola e ponha mãos à obra para conceber um “TV Rural” do séc. XXI! A agricultura portuguesa merece e agradece que se divulguem melhor os seus problemas. O público em geral ganharia muito com isso e o pequeno agricultor estaria mais bem informado sobre questões desta e de outra natureza. Isto para já não falar das vantagens de se darem a conhecer melhor os programas de apoio e de incentivo provenientes da União Europeia, Ou será que a chamada burocracia dos processos de candidatura a esses programas deve manter-se oculta para a maioria dos cidadãos portugueses diretamente interessados?

      Muito obrigada pelo site e pela caixa de diálogo e os meus cumprimentos,

      Isménia de Sousa

      • Elizabete Marchante
        Dezembro 3rd

        Cara Isménia,

        Obrigada pela mensagem. Pedimos desculpa pela demora na resposta.

        Concordamos consigo que é precisa muita mais divulgação de temas como este. A agricultura não é a nossa área, mas dentro do tema das espécies invasoras vamos tentando dar o nosso contributo, ainda que seja principalmente através da internet e de actividades variadas junto dos cidadãos.
        Quando a financiamentos, há muita informação, pelo menos na área que seguimos mais, não se mantém propriamente oculto, mas é preciso procurar e estar atento às oportunidades.

        Cumprimentos,
        Elizabete Marchante