pinheiro morto - sofia costa

Artigo convidado : O nemátode do pinheiro, um invasor dissimulado

Regularmente  convidamos outros especialistas para falar de invasões biológicas. O primeiro artigo é da Sofia Costa, investigadora do Centro de Ecologia Funcional da UC e directora do Fitolab. Ela trabalha com nemátodes desde 1997 e fala-nos sobre um nemátodo invasor que tem atacado os pinheiros em Portugal.

O nemátode do pinheiro, Bursaphelenchus xylophilus, foi pela primeira vez detectado em Portugal em 1999. Devido ao seu ciclo de vida complexo, e ao facto de estar sempre ‘escondido’ ou dentro das árvores ou dentro de um insecto que o dispersa, tem conseguido iludir as estratégias de contenção e controlo.

Em pouco mais de 10 anos desde a sua detecção, o nemátode dispersou-se por todo o território nacional continental e ilha da Madeira, sendo responsável pela eliminação de muitos hectares de pinheiro-bravo (Pinus pinaster).

Este verme microscópico é nativo da América do Norte, onde se alimenta preferencialmente de coníferas do género Pinus, que lhe são resistentes. No início do sec XX chegou ao Japão e mais tarde atingiu o continente asiático (Taiwan, Coreia, China), tornando-se devastador para as florestas de Pinus locais, que lhe são susceptíveis.

Este nemátode tem características típicas de um organismo invasor, tais como uma elevada capacidade adaptativa e taxa de reprodução, tendo vantagem competitiva sobre os outros nemátodes que, nos sistemas invadidos, estão associados às árvores (Cheng et al 2009).

Ao contrário do que se possa pensar, há outros nemátodes que podem viver dentro dos pinheiros sem lhes causarem danos apreciáveis. Alguns destes são de resto tão idênticos aos de B. xylophilus que só é possível distingui-los através de análises moleculares, realizadas por especialistas em laboratórios reconhecidos.

A relação entre a diversidade genética e a distribuição geográfica destas espécies de Bursaphelenchus, uma nativa e outra invasora, está a ser avaliada por investigadores portugueses (Pereira et al, 2013).

 

Na foto: pinheiro morto com sintomas de ataque do nemátode do pinheiro, em 2010, Sto António Olivais, Coimbra (Sofia Costa)

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