Imagem processada

Como fotografar plantas, invasoras ou não

Fotografar plantas não é tão fácil como pode parecer. Apesar de não se poderem mexer (muito), podem ser um assunto fotográfico complicado de abordar.

Para poderem tirar melhores fotos para o nosso mapa de avistamentos ou apenas para a vossa colecção, deixo-vos aqui algumas dicas para poderem fazer as melhores imagens possíveis com o material que têm ao vosso dispor. Cliquem nas imagens para verem as legendas completas e as fotos maiores.

Como tirar fotos melhores para o mapa de avistamentos

Lembrem-se que o objectivo principal do mapa é reportar espécies de plantas invasoras no meio natural.

Como temos a possibilidade de fornecer a informação sobre as condições onde a planta se encontra, podemos escolher entre uma visão mais geral (útil, se for uma mancha extensa), ou de pormenor,  se for um indivíduo isolado. Isto ajuda muito à identificação da espécie.

Como as espécies são todas diferentes, vejam como as podem enquadrar: os penachos são fáceis de identificar à distância, mas se for um acacial (precisamos de perceber qual das acácias é) ou Conyza  provavelmente será mais difícil.

Mas não é só isto que têm que ter em conta.  As imagens têm que ser nítidas, para facilitar a sua identificação, ou até que ponto invadem um local. Vão aparecer num ecrã, normalmente em dimensões reduzidas, por isso tudo o que puder ajudar na leitura da imagem, melhor. E em vez de uma, enviem duas fotos pelo site – uma de pormenor e outra geral – para facilitar a validação do avistamento.

Há alguns truques para nos expressarmos numa linguagem fotográfica mais eficaz, sem complicar um dia de passeio no meio da natureza.

E começamos pelo material, para desmistificar algumas ideias.

Não é a máquina que faz o fotógrafo

Um telemóvel, se tivermos em conta as suas especificidades, faz fotografias fantásticas. Temos é que nos lembrar que, por causa da lente que tem, é melhor para tirar fotos de perto. A partir de uma certa distância, o que está longe parece ainda mais longe.

Os telemóveis modernos têm câmaras de alta definição, com boa captação de luz, o material de que as fotografias são feitas. Aproximem-se dos assuntos das vossas fotos (se utilizarem o flash não se aproximem demais), tirem fotos de ângulos diferentes. Como as compactas, são muito fáceis de manusear e podemos facilmente colocá-los por detrás de uma ramada, ou no meio de um arbusto, sem grandes riscos para o material. É preciso usar a imaginação e perceber qual é o tema e o objectivo da foto.

As DSLR – aquelas que dão para trocar de lentes e têm uma pinta mais profissional – podem ser inúteis nas mãos de quem não percebe para que é que servem. As lentes são a parte importante da equação: quanto mais abertura tiverem (aqueles valores que vêm na lente, quanto mais baixo maior a abertura: 1.8 , 4.0, 5.6, etc) mais luz entra na máquina; se entra mais luz, podemos tirar fotos a uma velocidade maior, o que ajuda a evitar tremideiras, nossas e das plantas ao vento.

Se quiserem perceber como a relação entre a abertura e a velocidade afectam o resultado final, visitem este site da Canon e façam as vossas experiências.

Temos que ter em conta a distância focal: uma lente de 50mm equivale à nossa visão normal, uma lente de 400mm aumenta-a. Já viram as lentes dos senhores atrás das balizas nos jogos da bola? 800 para cima e uma abertura enorme para poderem tirar fotos de sujeitos em movimento, sem arrasto. Custam balúrdios.

Para fazer fotos de coisas pequenas (macros) prefiro usar uma lente de maior milimetragem (120mm ou mais): afasto-me do sujeito e faço o zoom no pormenor. Clique. Se possível, usar algo que faça de escala.

Só insisto no tripé. Dá mais jeito do que se pensa e, se vamos para o terreno sozinhos, precisamos de algo que segure a câmara para podermos fazer algumas das coisas que digo mais à frente.

Outro acessório que pode vir a dar jeito é uma cartolina branca. Já vos explico porquê.

O que quero dizer é que não é preciso ter muito material ou material caro para se fazer boas fotografias. É mais importante saber o que se quer mostrar na foto.

Qual é o assunto da fotografia?

As plantas têm várias cores, feitios e portes: há arbustos, árvores, ervas; têm flores vistosas ou uma infinidade de folhas verdes, iguais às folhas da planta vizinha; são altas, baixas ou espalham-se até perder de vista. Ainda por cima, gostam de crescer em sítios complicados.

O olhar humano pode distinguir a meio quilómetro espécies diferentes, agrupadas ao longo de  uma encosta, mas numa fotografia é difícil ter uma imagem onde se distingam os diversos indivíduos. O que temos no fim é aquilo que chamo de “mancha verde” que, a não ser que dê para ampliar, é inútil. Portanto, temos que jogar com a percepção.

A melhor forma de chamarmos a atenção para um elemento no meio de uma mancha é o contraste.  Imaginem uma parede com mil pontos:  999 são verdes, um é amarelo. O nosso olhar é sempre atraído para o amarelo. A nossa percepção funciona à base da diferença e do contraste. Pensem nisso quando quiserem tirar uma foto com muita coisa no enquadramento.

Uma flor colorida no meio de uma mancha de verde sobressai mais do que no meio de outras flores; uma planta mais alta vai dominar a foto, mesmo que queiramos dar o destaque às ervas por baixo.  Por vezes, uma mancha de sol pelo meio das folhas das árvores ajuda a destacar o pormenor mais importante.

Pensem qual é o elemento distintivo das espécies? São as flores? Uma foto de conjunto com várias árvores em flor pode ser muito eficaz se queremos mostrar uma mancha de cor, mas se for apenas um sujeito mais vale procurarmos o pormenor.

Por vezes é a dispersão o elemento mais importante: não vale a pena fazer uma imagem que mostra as duas plantas que queremos destacar num prado enorme; se o prado estiver cheio vale a pena dar uma perspectiva geral; se não, aproximem-se das plantas, sentem-se à frente delas, captem os pormenores que as tornam reconhecíveis.

Vejam o que é preciso destacar e destaquem-no. Experimentem composições diferentes, sigam o vosso instinto: se vos parece mal é porque está. Nós crescemos numa cultura eminentemente visual, vejam como outros fotógrafos, cineastas, artistas, enquadram  as suas imagens. Aprendam a ver e como os outros vêem.

O que está em primeiro plano é o que interessa

Uma forma simples de destacar um elemento é eliminando o fundo. Se por detrás da planta que queremos mostrar estiverem outras, podemos eliminar esse ruído visual desfocando o fundo ou eliminando-o completamente.

No primeiro caso basta aumentar a velocidade de disparo: num telemóvel podemos seleccionar o modo de desporto, numa máquina basta aumentar a abertura e disparar a uma velocidade maior. Para ter bons resultados é necessário que haja muita luz disponível

Outra maneira, é criando um fundo artificial: uma cartolina branca pode ser muito útil para criar um fundo homogéneo e que isola o objeto. A cartolina pode ser usada ainda para outras coisas.

Fotografia é luz

Como vos disse, a luz é o material de que as fotos são feitas. Não pensem que tirar fotos num dia de sol ao meio dia é a melhor opção. Pelo contrário, uma luz demasiado forte cria demasiados contrastes e pode roubar pormenores. Um dia nublado, quando a luz está mais difusa e não cria tantas sombras pode ser muito proveitoso.

Muitas vezes não conseguimos ter o sol do nosso lado para tirar a nossa fotografia, ou então queremos apanhar os seus raios a atravessar a folhagem. O problema é que depois a câmara compensa escurecendo demasiado o que está do lado que queremos fotografar. É altura de usar o flash, mas a uma distância para que não se note demasiado e preencha as zonas de sombra.

Podemos usar outra vez a cartolina para reflectir a luz e dar mais alguma luminosidade onde ela não está disponível. Outro reflector de recurso são os tapa-sol que temos nos carros, feitos de um material brilhante. Pode parecer pouco, mas são muito práticos e úteis, se forem bem usados.

As horas preferidas dos fotógrafos são quando a luz está mais rasa, ou seja, ao amanhecer e ao fim da tarde: o espectro é diferente, e as cores sobressaem de outra forma. Não é tão forte, por isso permite ter muitos pormenores sem os queimar.

Vejam qual é a vossa hora preferida, visitem o mesmo sítio a horas diferentes e em alturas diferentes do ano e percebam como é que a luz muda ao longo do dia, ao longo das estações.

O original não é o final

Vou-vos contar um segredo:  poucas fotos saem em condições directamente da máquina. Parte do trabalho está no tratamento e edição fotográfica. Uma boa base é fundamental e, quanto melhor for, menos trabalho dará, mas há coisas que podem ser sempre melhoradas.

Qualquer editor de imagem pode corrigir o enquadramento, o contraste e até compensar a luminosidade. Quando tiramos uma foto, normalmente ela tem um aspecto baço. O contraste ajuda a criar uma imagem mais nítida, e com mais algumas experiências podemos criar uma imagem mais viva e fiel à realidade do que o original. Temos é que ter cuidado para não abusar e fazer amarelo do que era verde. A estética varia de acordo com o objectivo da foto, se é mais documental ou artística e que pormenores queremos realçar.

Existem imensos editores de imagem gratuitos e eficazes. As fotos deste post foram tratadas e editadas no Photoscape, mas podem usar outros como o Fotor, que funciona online e nem precisam de descarregar. Para uma utilização mais avançada e para quem não quer comprar o Photoshop, existe o GIMP. Parece mais complicado mas é uma ferramenta de edição de imagem muito poderosa.

O processo é que é importante

Se pensarmos no que é importante destacar na imagem, a soubermos enquadrar e iluminar, então temos muito boas hipóteses de tirar melhores fotos. Mas o mais importante é estar no terreno, disfrutar dos espaços, aproveitar o momento, sozinhos ou em boa companhia. Acima de tudo, nunca tirar fotografias à pressa. Absorvam o ambiente, apreciem os pormenores, a envolvência, olhem para as coisas como se fosse a primeira vez.

Tirem mais do que uma fotografia, experimentem coisas diferentes: ângulos, pormenores, demonstrem a escala das plantas em comparação com a estatura humana, ou estruturas no local. Descubram o que é que se esconde no meio da vegetação: há sempre insectos ou outras criaturas que podem dar excelentes temas fotográficos.

Mas façam tudo em segurança, nem destruam os locais que querem fotografar. É preciso respeitar o chão que pisamos, não vamos dar cabo de uma espécie nativa, cair por um buraco abaixo ou no meio das urtigas.

Mais do que fazer boas fotos, o importante é estarmos contacto com a natureza, disfrutarmos dela, valorizá-la, conhecer sítios onde nunca iríamos se não fosse o pretexto da fotografia.

Acima de tudo, divirtam-se.

Todas as fotos por Alex Gamela

Editores de imagem gratuitos

9 Best Free Image Editors-Mashable

Tutoriais

How to Photograph Flowers – Digital Photography School

10 Secrets for Better Flower Photography – Tuts+(pelo fotógrafo português José Antunes)

Five Secrets to Great Flower Pictures –  About.com

25 flower photography tips for beginners- Digital Camera World

http://digital-photography-school.com/10-tips-for-improving-your-flower-photos

 

Alex Gamela tenta fotografar formigas, que se mexem muito mais do que as plantas

Alex Gamela tenta fotografar formigas, que se mexem muito mais do que as plantas (Foto- Alexandra Rosado)

  Alex Gamela faz mais vídeo do que fotos.

  Não se considera fotógrafo mas bate-chapas.

  Faz parte da equipa do Invasoras.pt e tem fotos no Flickr e vídeos no Vimeo.

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