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Controlo natural da acácia-de-espigas

Depois de autorizada a libertação do agente de controlo natural para a acácia-de-espigas em Julho de 2015, à qual se seguiu a primeira campanha de libertação (no âmbito do projecto INVADER-B*), terminou recentemente a segunda campanha de libertação de Trichilogaster acaciaelongifoliae em Portugal (já integrada no projecto INVADER-IV**).

Qual a planta que o agente de controlo natural vai ajudar a controlar?

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Figura 1. Detalhes de acácia-de-espigas: da esquerda para a direita – aspecto geral, ramo em floração e vagens maduras com as sementes já totalmente formadas.

A planta a controlar é a acácia-de-espigas (Figura 1. Acacia longifolia; vejam como se distingue das outras acácias), uma das invasoras que causam mais impactes negativos no nosso litoral, por exemplo a nível das comunidades de plantas e no solo. Esta espécie produz um grande número de sementes que contribuem de forma significativa para a capacidade invasora desta espécie. Por um lado, as sementes são dispersas, por exemplo por formigas, criando novos focos de invasão; por outro lado, as sementes acumulam-se no solo (vários milhares por m2) e aí permanecem viáveis durante vários anos potenciando a capacidade da planta para (re)invadir e dispersar para mais longe. Neste contexto, procurou-se uma forma de controlo natural para ajudar a diminuir a quantidade de sementes produzidas.

Qual é o agente de controlo natural?

O agente é um insecto-australiano-formador-de-galhas, de nome científico Trichilogaster acaciaelongifoliae (Figura 2). Este pequeno insecto, como o nome científico sugere, é um formador de galhas (como os bugalhos dos carvalhos), que coloca os ovos nas gemas florais (e vegetativas) de acácia-de-espigas, promovendo galhas onde se formariam as flores e/ou novos ramos: sem flores não há vagens (frutos), sem vagens não há sementes, e sem sementes não há acácias-de-espiga novas. Ou seja, este pequeno insecto diminui a capacidade da acácia-de-espigas se reproduzir e consequentemente de (re)invadir e dispersar para novas áreas. Trichilogaster acaciaelongifoliae é um insecto muito específico pelo que, com base nos testes realizados em Portugal e na experiência na África do Sul, se espera que promova a formação de galhas apenas na acácia-de-espigas.

Vejam como é pequena neste vídeo.

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Figura 2. Da esquerda para a direita: uma fêmea de Trichilogaster acaciaelongifoliae num ramo jovem de acácia-de-espigas, dirigindo-se para uma gema vegetativa; galha já totalmente formada por T. acaciaelongifoliae; corte longitudinal de uma galha de T. acaciaelongifoliae – é possível observar-se a câmara já vazia e o canal por onde o insecto terá saído.

 

Se têm dúvidas, vejam os prós e contras/aspectos controversos.

 

Qual o ponto da situação?

Entre 20 de Novembro e 7 de Dezembro de 2015 decorreu a primeira campanha de libertação: mais de 400 fêmeas de Trichilogaster acaciaelongifoliae oriundas da África-do-Sul e foram libertadas em sete locais ao longo do litoral Português e em Coimbra.

Da primeira campanha de libertação resultou a formação de cerca de 50 galhas em acácia-de-espigas, observadas entre Junho e Agosto de 2016, em quatro dos locais de libertação, nomeadamente no Perímetro Florestal das Dunas de Cantanhede (Tocha), na Mata Nacional das Dunas de Quiaios, na Mata Nacional de Leiria (São Pedro de Moel) e em Coimbra. Considerando que os insectos vêm do hemisfério sul, e como tal precisam sincronizar o ciclo de vida com as estações do hemisfério norte, eram expectáveis dificuldades no estabelecimento nas primeiras épocas, pelo que a detecção de galhas no primeiro ano são muito boas notícias! O agente de controlo natural Trichilogaster acaciaelongifoliae conseguiu completar o ciclo de vida em condições naturais em Portugal! A partir desta altura é expectável que o insecto consiga dispersar mais facilmente e se comecem a ver mais galhas, principalmente nos locais acima referidos. Se virem galhas de T. acaciaelongifoliae reportem-nas aqui e enviem-nos fotografias para invader@uc.pt

Para saber mais, ouçam esta peça da TSF, vejam este episódio do Programa Biosfera, uma produção Farol de Ideias para © RTP 2017 (sensivelmente a partir do min 7) ou vejam esta apresentação que fizemos numa Sessão de esclarecimento sobre o tema.

Entre Novembro e meados de Dezembro de 2016 decorreu a segunda campanha de libertação: foram libertadas mais de 1800 fêmeas  de Trichilogaster acaciaelongifoliae, também oriundas da África-do-Sul, em perto de 20 locais ao longo do litoral entre Esposende e Marinha Grande. Na próxima Primavera/Verão faremos as próximas monitorizações de forma a acompanhar o estabelecimento e efeito deste agende de controlo natural.

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Figura 3. Trabalho de campo. Da esquerda para a direita: fêmea de Trichilogaster acaciaelongifoliae libertada; Francisco Nuñez, do CEF/UC, detectou galhas de T. acaciaelongifoliae; Isídro Seiça, do ICNF, a libertar uma fêmea de T. acaciaelongifoliae.

 

* O projecto INVADER-B decorreu de 01 de Julho de 2013 a 30 de Novembro de 2015; foi coordenado pelo Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e decorreu em parceria com a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra.

** O projecto INVADER-IV teve início em 01 de Julho de 2016 e decorrerá até 01 de Julho de 2019; é coordenado pelo Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e decorre em parceria com a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra e com a Introsys.

 

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