Projecto BRIGHT – proteger a Mata do Buçaco das Plantas Invasoras

A Fundação Mata do Bussaco tem a decorrer o Projecto Life+ – BRIGHT (Bussaco´s Recovery from Invasions Generating Habitat Threats). O objectivo é recuperar e proteger as várias áreas naturais da Mata, especialmente a Floresta Reliquia, no espaço de 5 anos. Uma das principais acções contempladas no projecto é o controlo de plantas invasoras.

Situada no extremo noroeste da Serra do Buçaco, a Mata Nacional do Buçaco é uma jóia da floresta nacional, com uma riqueza faunística e florística fora do comum. Nos seus 105 hectares podemos encontrar uma colecção de espécies exóticas e várias espécies representativas da flora nacional.

Uma das suas maiores riquezas é a Floresta Relíquia, com características únicas a nível mundial, devido à associação fitossociológica particular que o aderno (Phillyrea latifolia) estabelece com outras espécies autóctones como o carvalho-alvarinho (Quercus robur) e loureiro (Laurus nobilis). Geralmente o aderno apresenta um porte arbustivo, mas no Buçaco é predominantemente arbóreo.

Outra das áreas que distingue a Mata do Buçaco é o Arboreto, uma coleção dendrológica estabelecida no séc.XIX pelos serviços florestais do reino, onde podemos encontrar espécies de todo o mundo.

Até ao momento, os esforços de controlo de invasoras têm sido concentrados na área do Pinhal do Marquês, uma área anexada na sequência de um processo de expropriação ao Marquês da Graciosa no séc.XIX, e povoada com espécies de acácia (Acacia dealbata e A. melanoxylon) e falsa-árvore-do-incenso (Pittosporum undulatum) pelos próprios serviços florestais do reino que, à época, não tinham conhecimento dos riscos que estas espécies comportavam.

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Segundo Nelson Matos, coordenador operacional do projecto, a estratégia de gestão de invasoras assenta em ensaiar diferentes técnicas nessa área mais degradada, principalmente o arranque e o descasque de plantas invasoras arbóreas:

“Começámos a intervir no Pinhal do Marquês até para servir de laboratório de ensaio das técnicas de controlo, para agir noutras áreas já com o domínio das técnicas e dos métodos mais adequados para não arriscar deteriorar os valores autóctones.”

Outra invasora, alvo das acções de controlo e que está disseminada pela mata, é a erva-da-fortuna (Tradescantia fluminensis), que tem a capacidade de formar tapetes extensos, impedindo o crescimento de outras espécies. A técnica utilizada para controlar esta espécie é o enrolamento, sendo posteriormente plantadas espécies autóctones criadas nos viveiros, reactivados no âmbito do projecto.

“O intuito de produzir autóctones em viveiro é depois ocupar os espaços de onde foram removidas as invasoras, promovendo a regeneração desses espaços.”

O projecto BRIGHT pretende sair dos limites da própria mata e atingir um nível regional, com acções de comunicação e educação não só de combate a plantas invasoras mas também de regeneração de áreas florestais junto de proprietários e populações vizinhas.

Para além da importância e do valor natural da Mata do Buçaco, há um património paisagístico e turístico que é preciso preservar. Para Nelson Matos “se as invasões progredissem, iriam inibir o desenvolvimento e existência das espécies autóctones, que não têm as mesmas vantagens competitivas que as exóticas invasoras”.

Apesar de o projecto ainda estar no início, os resultados, para o coordenador operacional do projecto, são positivos:

“Num ano de actividades podemos verificar uma forte regressão das invasões – as reincidências são mínimas – e as autóctones que já existiam tiveram um desenvolvimento muito intenso após a remoção das invasoras.”

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