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Acacia longifolia

Arbusto ou pequena árvore perene, de espigas amarelo-vivo; muito frequente em dunas.

Nome científico: Acacia longifolia (Andrews) Willd.

Nomes vulgares: acácia-de-espigas, acácia-de-folhas-longas, acácia

Família: Fabaceae (Leguminosae)

Estatuto em Portugal: espécie invasora (listada no anexo I do Decreto-Lei n° 565/99, de 21 dezembro)

Nível de risco: 30 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2015.

Sinonímia: Acacia longifolia (Andrews) Willd. var. typica Benth., Mimosa longifolia Andrews, Mimosa macrostachya Poiret, Phyllodoce longifolia (Andrews) Link, Racosperma longifolium (Andrews) Martius

NOVIDADE: Em Julho de 2015, foi autorizada a libertação de um agente de controlo natural para conter a dispersão desta espécie, estando em curso desde Novembro libertações deste agente e respectiva monitorização.

Data de atualização: 23/10/2015

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Como reconhecer

Arbusto ou pequena árvore de até 8 m.

Folhas: perenes, reduzidas a filódios laminares, oblongolanceolados; com 2-4 nervuras longitudinais.

Flores: amarelo-vivo reunidas em espigas axilares.

Frutos: vagens cilíndricas, contorcidas na maturação; sementes com funículo curto, esbranquiçado.

Floração:dezembro a abril.

Espécies semelhantes

Acacia cyclops (acácia) é semelhante mas tem filódios normalmente menores, mais claros e ligeiramente falciformes, as flores estão reunidas em capítulos, a vagem é comprimida e o funículo é escarlate e envolve completamente a semente. Acacia melanoxylon (austrália) também tem alguma semelhança, mas os filódios são falciformes, as flores reúnem-se em capítulos e as sementes são totalmente envolvidas por um funículo cor-de-laranja.

 

Há várias espécies de acácias em Portugal que apresentam características muito semelhantes. Se tem dificuldade em distingui-las consulte a chave simplificada que preparámos para identificar as espécies do género.

 Características que facilitam a invasão

Reproduz-se por via seminal produzindo muitas sementes, que permanecem viáveis no solo durante muitos anos. A produção de sementes chega a atingir 12000 sementes/m2/ano, a grande maioria concentrada debaixo da copa da árvore. As sementes são dispersas por animais, sobretudo por pássaros e formigas, causando o aparecimento de focos de invasão. A germinação é estimulada pelo fogo. Apresenta taxa de crescimento elevada.

A espécie também se reproduz por via vegetativa, formando rebentos de touça em algumas situações. No entanto, em zonas de subcoberto, em algumas condições climáticas ou estações do ano a espécie rebenta muito menos vigorosamente ou pode mesmo não formar rebentos.

 

Área de distribuição nativa

Sudeste da Austrália.

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Trás-os-Montes, Minho, Douro Litoral, Beira Litoral, Estremadura, Ribatejo, Alto Alentejo, Baixo Alentejo, Algarve), arquipélago da Madeira (ilhas da Madeira e Porto Santo).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

A.longifolia

Áreas geográficas onde há registo da presença de Acacia longifolia

Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (França, Espanha, Itália, Turquia), África do Sul, Nova Zelândia,América do Sul (Brasil), oeste dos EUA (Califórnia), Ásia (Israel).

 

Razão da introdução

Para fins ornamentais e para controlo de erosão, principalmente em dunas costeiras.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Dunas costeiras, alguns cabos e nas margens de linhas de água.

Surge também, apesar de menos frequentemente, em margens de vias de comunicação e áreas de montanha mais interiores.

 

É uma das espécies invasoras com maiores impactes nos ecossistemas dunares.

Impactes nos ecossistemas

Forma povoamentos muito densos impedindo o desenvolvimento da vegetação nativa, diminuindo o fluxo das linhas de água.

Produz muita folhada rica em azoto, e promove a alteração da composição (carbono e nutrientes, principalmente azoto) e da microbiologia do solo.

Mais informação sobre impactes em publicações.

Impactes económicos

Custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

 

Habitats Rede Natura 2000 mais sujeitos a impactes

– Galerias e matos ribeirinhos meridionais (Nerio-Tamaricetea e Securinegion tinctoriae)  (92D0 pt1, pt2);
– Falésias com vegetação das costas atlânticas (1230);
– Dunas móveis do cordão litoral com estorno (Ammophila arenaria) («dunas brancas») (2120);
– Dunas fixas com vegetação herbácea («dunas cinzentas») (2130);
– Dunas fixas descalcificadas atlânticas (Calluno-Ulicetea) (2150);
– Dunas com salgueiro-anão (Salix repens ssp. argentea) (Salicion arenariae) (2170);
– Dunas arborizadas das regiões atlântica, continental e boreal (2180);
– Depressões húmidas intradunares (2190);
– Dunas com prados da Malcolmietalia (2230);
– Dunas litorais com Juniperus spp. (2250);
– Dunas com vegetação esclerofila da Cisto-Lavenduletalia (2260);
– Dunas com floresta de pinheiro-manso  (Pinus pinea) e/ou pinheiro-bravo (Pinus pinaster) (2270);
– Dunas interiores com prados abertos de Corynephourus e Agrostis (2330);
– Cursos de água de margens vasosas com vegetação de Chenopodium rubri p. p. e da Bidention p. p. (3270).

 

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Acacia longifolia incluem:

 

Controlo natural

O insecto Trichilogaster acaciaelongifoliae (Hymenoptera: Pteromalidae) é utilizado com sucesso na África do Sul desde 1982. Esta espécie forma galhas nas gemas florais e vegetativas de A. longifolia impedindo a formação de até 90% das sementes. A sua utilização é combinada com o gorgulho [Melanterius ventralis (Coleoptera: Curculionidae)] que se alimenta das poucas sementes formadas.

Os testes de especificidade, em quarentena, para avaliação da segurança de utilização de T. acaciaelongifoliae em Portugal foram oficialmente autorizados tendo sido concluídos em 2010. Em Julho de 2015, foi autorizada a libertação de um agente de controlo natural para conter a dispersão desta espécie, estando em curso desde Novembro libertações deste agente e respectiva monitorização.

 

Controlo físico

Arranque manual: metodologia preferencial para plântulas e plantas jovens. Em susbtratos mais compactados, o arranque deve ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular. Deve garantir-se que não ficam raízes de maiores dimensões no solo.

Corte: metodologia preferencial para plantas adultas. Corte tão rente ao solo quanto possível. Deve ser realizado antes da maturação das sementes. Na maioria das vezes, esta operação é suficiente para o controlo eficaz da espécie. No entanto, há situações em que se verifica o rebentamento da touça após o corte, tornando necessária a aplicação desta metodologia em combinação com outras metodologias, nomeadamente a aplicação de herbicidas, em intervenções posteriores.


Controlo físico + químico

Corte combinado com aplicação de herbicida: aplica-se a plantas adultas. Corte do tronco tão rente ao solo quanto possível e aplicação imediata (impreterivelmente nos segundos que se seguem) da touça com herbicida (princípio ativo: glifosato). Se houver formação de rebentos, estes devem ser eliminados quando atingirem 25 a 50 cm de altura através de corte ou arranque.

Fogo controlado

Pode ser utilizado estrategicamente com o objetivo de estimular a germinação do banco de sementes, e.g., após controlo dos indivíduos adultos (com a gestão adequada da biomassa resultante) ou para eliminação de plantas jovens. Tem como grande vantagem a redução do banco de sementes, quer destruindo uma parte das sementes quer estimulando a germinação das que ficam.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

Agricultural Research Council – Plant Protection Research Institute – Weed Research Division (2014) Management of invasive alien plants: A list of biocontrol agents released against invasive alien plants in South Africa. Disponível: http://www.arc.agric.za/arc-ppri/Documents/WebAgentsreleased.pdf [Consultado 16/10/2014].

CABI (2012) Acacia longifolia. In: Invasive Species Compendium. CAB International, Wallingford, UK. Disponível: http://www.cabi.org/isc/ [Consultado 06/11/2012].

Dennill GB, Donnelly D, Stewart K, Impson FAC (1999) Insect agents used for the biological control of Australian Acacia species and Paraserianthes lophanta (Willd.) Nielsen (Fabaceae) in South Africa. African Entomology: Memoir no.1: 45-54.

Marchante E, Freitas H, Marchante H (2008) Guia prático para a identificação de plantas invasoras de Portugal Continental. Imprensa da Universidade de Coimbra, 183pp.

Marchante H, Freitas H, Hoffman JH (2010) Seed ecology of an invasive alien species, Acacia longifolia (Fabaceae), in Portuguese dune ecosystems. American Journal of Botany 97 (11): 1780-1790.

Marchante H, Freitas H, Hoffman JH (2011) The potential role of seed banks in the recovery of dune ecosystems after removal of invasive plant species. Applied Vegetation Science 14: 107-119.

Marchante E, Kjøller A, Struwe S, Freitas H (2008) Short- and long-term impacts of Acacia longifolia invasions on the belowground processes of a Mediterranean coastal dune ecosystem. Applied Soil Ecology 40: 210-217.

Pheloung, P.C., Williams, P.A., Halloy, S.R., 1999. A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

Mais publicações sobre esta espécie neste menu.

 

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