pycnantha - flor e filodios-2

Acacia pycnantha

Árvore perene, de folhas verde-escuro em forma de foice e flores reunidas em “bolinhas” amarelo-dourado.

Nome científico: Acacia pycnantha Bentham

Nome vulgar: acácia

Família: Fabaceae (Leguminosae)

Estatuto em Portugal: espécie invasora (listada no anexo I do Decreto-Lei nº 565/99, de 21 dezembro)

Sinonímia: Acacia falcinella Meissner, Acacia petiolaris Lehm, Acacia westoni Maiden

Nível de risco: 23 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2015.

Data de atualização: 23/10/2015

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Como reconhecer

Arbusto ou árvore de até 8 m, de ritidoma cinzento, liso.

Folhas: perenes, reduzidas a filódios com 6-20 x 0,5-5 cm (de até 10 cm de largura nos rebentos que se formam nas touças das árvores cortadas), assimétricos na base, falciformes, múticos, com uma única nervura longitudinal.

Flores: amarelo-douradas reunidas em capítulos, com 8-10 mm de diâmetro, por sua vez reunidos (10-20) em cachos ou panículas.

Frutos: vagens castanho-escuras ou quase negras, comprimidas, subretas; sementes com funículos curtos, esbranquiçados.

Floração: janeiro a abril.

 

Espécies semelhantes

Acacia saligna (acácia) é relativamente semelhante, mas os seus filódios são simétricos na base, geralmente mucronados, e de cor verde-azulada; e apresenta menos capítulos (apenas 2-10) por cacho. Grosseiramente, as folhas falciformes fazem lembrar um eucalipto mas distingue-se bem pela ausência do aroma característico e pela floração.

Há várias espécies de acácias em Portugal que apresentam características muito semelhantes. Se tem dificuldade em distingui-las consulte a chave simplificada que preparámos para identificar as espécies do género.

Características que facilitam a invasão

Reproduz-se por via seminal produzindo muitas sementes, que permanecem viáveis no solo muitos anos. Germina intensivamente após a passagem do fogo.

Também se reproduz por via vegetativa, formando rebentos de touça, em algumas situações.

Área de distribuição nativa

Sudeste da Austrália (Vitória).

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Beira Litoral, Beira Baixa, Estremadura, Ribatejo, Baixo Alentejo, Alto Alentejo, Algarve).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

Acacia pycnantha

Áreas geográficas onde há registo da presença de Acacia pycnantha

Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (Espanha), África do Sul, algumas regiões da Austrália.

 

Razão da introdução

Para fins ornamentais e para extração de taninos.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Locais secos e perturbados, por exemplo nas margens de vias de comunicação.

No ambiente nativo cresce em florestas secas esclerófilas, principalmente em solos arenosos ou rochosos.

 

Impactes nos ecossistemas

Potencialmente, pode formar povoamentos muito densos impedindo o desenvolvimento da vegetação nativa. Em Portugal não é das espécies mais dispersas conhecendo-se relativamente poucas (quando comparada com A. dealbata, A. melanoxylon ou A. longifolia) situações onde se verifica este nível de impactes.

Produz muita folhada rica em azoto, que promove a alteração do solo.

 

Impactes económicos

Potencialmente, custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

 

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Acacia pycnantha incluem:

 

Controlo físico

Arranque manual: metodologia preferencial para plântulas e plantas jovens. Em substratos mais compactados, o arranque deve ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular. Deve garantir-se que não ficam raízes de maiores dimensões no solo.

Corte: metodologia preferencial para plantas adultas. Corte do tronco tão rente ao solo quanto possível com recurso a equipamentos manuais e/ou mecânicos. Deve ser realizado antes da maturação das sementes. Na maioria das vezes, esta operação é suficiente para o controlo eficaz da espécie. No entanto, há situações em que se verifica o rebentamento da touça após o corte tornando necessária a aplicação desta metodologia em combinação com outros métodos, nomeadamente a aplicação de herbicidas, em intervenções posteriores.

 

Controlo físico + químico

Corte combinado com aplicação de herbicida: aplica-se a plantas adultas. Corte do tronco tão rente ao solo quanto possível e aplicação imediata (impreterivelmente nos segundos que se seguem) de herbicida (princípio ativo: glifosato) na touça. Se houver formação de rebentos, estes devem ser eliminados através de corte, arranque ou pulverização foliar com herbicida (princípio ativo: glifosato); até 25 a 50 cm de altura. Para rebentos de maiores dimensões (a partir de 2-3 cm de diâmetro) repetir a metodologia inicial (corte com aplicação de herbicida).

 

Controlo químico

Aplicação foliar de herbicida: para rebentos jovens (25-50 cm de altura) ou germinação elevada. Pulverizar com herbicida (princípio ativo: glifosato) limitando a aplicação à espécie-alvo.

 

Controlo biológico

A vespa Trichilogaster signiventris B (Hymenoptera: Pteromalidae), formadora de galhas nas gemas de A. pycnantha, foi introduzida na África do Sul em 1987, verificando-se atualmente danos extensos na espécie invasora.

O gorgulho Melaterius maculatus (Coleoptera: Curculionidae) é igualmente usado na África do Sul para controlo desta espécie com sucesso.

Estes agentes não foram ainda testados em Portugal, de forma a verificar a sua segurança relativamente às espécies nativas, pelo que a sua utilização ainda não constitui uma alternativa no nosso país.


Fogo controlado

Pode ser utilizado estrategicamente com o objetivo de estimular a germinação do banco de sementes, e.g., após controlo dos indivíduos adultos (com a gestão adequada da biomassa resultante) ou para eliminação de plantas jovens. Tem como grande vantagem a redução do banco de sementes, quer destruindo uma parte das sementes quer estimulando a germinação das que ficam.

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

Agricultural Research Council – Plant Protection Research Institute – Weed Research Division (2014) Management of invasive alien plants: A list of biocontrol agents released against invasive alien plants in South Africa. Disponível: http://www.arc.agric.za/arc-ppri/Documents/WebAgentsreleased.pdf [Consultado 16/10/2014]

Dennill GB, Donnelly D, Stewart K, Impson FAC (1999) Insect agents used for the biological control of Australian Acacia species and Paraserianthes lophanta (Willd.) Nielsen (Fabaceae) in South Africa. African Entomology: Memoir no.1: 45-54.

Marchante E, Freitas H, Marchante H (2008) Guia prático para a identificação de plantas invasoras de Portugal Continental. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, 183pp.

Pheloung, P.C., Williams, P.A., Halloy, S.R., 1999. A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

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