Ailanthus altissima (19)

Ailanthus altissima

Árvore de grandes folhas compostas, avermelhadas na extremidade em jovem, caducas, de cheiro fétido quando cortada.

Nome científico: Ailanthus altissima (Mill.) Swingle

Nomes vulgares: espanta-lobos, árvore-do-céu, ailanto, ailanto-da-China, árvore-do-paraíso, pau-do-céu

Família: Simaroubaceae

Estatuto em Portugal: espécie invasora (listada no anexo I do Decreto-Lei n° 565/99, de 21 dezembro)

Nível de risco: 20 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2015.

Sinonímia: Ailanthus glandulosa Desf., Ailanthus peregrina (Buc’hoz) Barkley, Rhus cacodendron Ehrh., Toxicodendron altissimum Miller

Data de atualização: 23/10/2015

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Como reconhecer

Árvore dioica, de até 20 m, formando numerosos rebentos de raiz; ritidoma cinzento, liso ou longitudinalmente fendilhado; raminhos castanho-brilhantes, grossos, tortuosos e medulosos.

Folhas: caducas, alternas, imparifolioladas, com ráquis de até 1 m, cujos primeiros pares de folíolos têm 2-4 lobos irregulares na base; folhas jovens com extremidades avermelhadas.

Flores: esverdeadas, pequenas (7-8 mm), reunidas em panículas de 10-20 cm.

Frutos: monocarpos samariformes com 3-4 cm, avermelhados no início.

Floração: abril a julho

 

Espécies semelhantes

Pode confundir-se com a nogueira-negra (Juglans nigra L.) mas esta não apresenta os 2 a 4 lobos irregulares na base dos folíolos e o fruto é semelhante a uma noz.

 

Características que facilitam a invasão

Espécie pioneira de crescimento muito rápido.

Reproduz-se por via seminal produzindo uma elevada quantidade de sementes (± 350 000/ano) que podem dispersar até grandes distâncias (pelo vento) e germinam se tiverem humidade.

A espécie também se reproduz por via vegetativa, rebentando vigorosamente de raiz, formando extensos estolhos radiculares.

Área de distribuição nativa

Ásia temperada (China).

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (todas as províncias), arquipélago dos Açores (ilhas de São Miguel, Santa Maria, Graciosa, Pico, Faial, Flores), arquipélago da Madeira (ilha da Madeira).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

Áreas geográficas onde há registo da presença de Ailanthus altissima

Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (Espanha, França, Grécia, Hungria), África do Sul, algumas regiões da Austrália, América do Sul, América do Norte (Canadá, EUA), Ásia (Japão, Paquistão).

 

Razão da introdução

Para fins ornamentais, em espaços urbanos e margens de estradas.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Áreas perturbadas, como margens de vias de comunicação, junto a vedações, áreas agrícolas abandonadas e espaços urbanos.

Em áreas naturais pode estabelecer-se quando ocorrem perturbações começando a surgir com alguma frequência em zonas ribeirinhas.

Desenvolve-se em todos os tipos de solos preferindo os leves e profundos. Adapta-se facilmente a solos argilosos e outros solos com baixo conteúdo em nutrientes e oxigénio. Desenvolve-se preferencialmente em locais com muito sol mas as plântulas e rebentos podem persistir no subcoberto durante muito tempo à espera de uma clareira e crescem então rapidamente (até 3 cm/dia).

 

É uma das espécies invasoras mais agressivas em Portugal continental.

Impactes nos ecossistemas

Pode formar povoamentos densos impedindo o desenvolvimento da vegetação nativa.

Tem efeitos alelopáticos, impedindo o desenvolvimento de outras espécies.

 

Impactes económicos

Custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

 

Outros impactes

Alergias.

 

Habitats Rede Natura 2000 mais sujeitos a impactes

– Florestas aluviais de amieiro (Alnus glutinosa) (Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae) (91E0);
– Florestas mistas de carvalho-alvarinho (Quercus robur), ulmeiro (Ulmus minor), freixo (Fraxinus angustifolia) das margens de grandes rios (91F0);
– Florestas-galerias de salgueiro-branco (Salix alba) e choupo-branco (Populus alba) (92A0).

 

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Ailanthus altissima incluem:

 

Controlo físico

Arranque manual: metodologia preferencial para plântulas e plantas jovens. No caso de plantas jovens, a utilização de uma forquilha, para soltar primeiro as raízes, facilita a remoção. Em substratos mais compactados, o arranque deve ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular. Nas situações em que se sente resistência não se deve arrancar para evitar que fiquem raízes. Raízes de maiores dimensões e fragmentos que fiquem no solo têm grande probabilidade de originar novos rebentos pelo que devem ser removidos (muito importante!).

 

Controlo físico + químico

Corte combinado com aplicação de herbicida: aplica-se a plantas adultas. Corte do tronco tão rente ao solo quanto possível e aplicação imediata (impreterivelmente nos segundos que se seguem) de herbicida (princípio ativo: glifosato ou triclopir) na touça. Deve ser realizado na altura de maior crescimento da planta. Se houver formação de rebentos, estes devem ser eliminados através de arranque, pulverização foliar com herbicida (princípio ativo: glifosato ou triclopir) ou repetir a metodologia inicial (corte com aplicação de herbicida).

 

Controlo químico

Injeção com herbicida: metodologia preferencial para plantas com diâmetro superior a 5 cm. Aplicação de herbicida diretamente no sistema vascular da planta através da realização de vários golpes (com um machado, inchó ou serrote), à altura que for mais conveniente para o aplicador, num ângulo de 45° até ao alburno, e injetar imediatamente (impreterivelmente nos segundos que se seguem) em cada incisão cerca de 1ml (0,5 a 2ml consoante o tamanho do corte) de herbicida (princípio ativo: glifosato ou triclopir) com um esguicho.

Os vários cortes devem ser realizados à mesma altura do tronco de forma a quase se tocarem, deixando ca. 2-4 cm de casca por cortar entre eles. Para indivíduos de menores dimensões apenas são necessários 2 ou 3 cortes, e não devem ser profundos (para evitar que a planta parta).

Aplicação foliar de herbicida: aplica-se a rebentos jovens (25-50 cm de altura) ou germinação elevada. Deve ser realizada na altura de maior crescimento da planta. Pulverizar com herbicida (princípio ativo: glifosato ou triclopir) limitando a aplicação à espécie-alvo.

Aplicação de herbicida sobre a casca na base da planta: aplica-se a plantas jovens até 15 cm de diâmetro. A aplicação de herbicida (princípio ativo: glifosato ou triclopir) deve ser feita até uma altura de 30 cm. Para plantas de maior dimensão, a aplicação de herbicida deve ser precedida de descasque.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

 

CABI (2012) Ailanthus altissima. In: Invasive Species Compendium. CAB International, Wallingford, UK. Disponível: http://www.cabi.org/isc/ [Consultado 6/11/2012].

Dana ED, Sanz-Elorza M, Vivas S, Sobrino E (2005) Especies vegetales invasoras en Andalucía. Consejería de Medio Ambiente, Junta de Andalucía, Sevilla, 233pp.

Dufour-Dror J-M (2012) Alien invasive plants in Israel. The Middle East Nature Conservation Promotion Association, Ahva, Jerusalem, 213pp.

Marchante E, Freitas H, Marchante H (2008) Guia prático para a identificação de plantas invasoras de Portugal Continental. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, 183pp.

Pheloung, P.C., Williams, P.A., Halloy, S.R., 1999. A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

Silva L, Corvelo R, Moura M, Osorio VEM, Carvalho JA (2008) Ailanthus altissima (Mill.) Swingle. In: Silva L, Land EO, Luengo JLR (eds) Flora e fauna terrestre invasora na Macaronésia. Top 100 nos Açores, Madeira e Canárias. Arena, Ponta Delgada, pp. 385-387.

Swearingen JM, Pannill P (2009) Tree of heaven – Ailanthus altissima (Mill.) Swingle. In: Plant Conservation Alliance’s Alien Plant Working Group. Weeds gone Wild: Alien Plant Invader of Natural Areas. Disponível: http://www.nps.gov/plants/alien/fact/pdf/aial1.pdf [Consultado 6/11/2012].

 

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