Cortaderia selloana (9)

Cortaderia selloana

Erva perene de grande porte, até 2,5 m, rizomatosa, de grandes plumas branco-prateadas.

Nome científico: Cortaderia selloana (Schult. & Schult.f.) Asch. & Graebn.

Nomes vulgares: penachos, erva-das-pampas, paina, capim-das-pampas, plumas, penacho-branco

Família: Poaceae (Gramineae)

Estatuto em Portugal: espécie invasora

Nível de risco: 26 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2015.

Sinonímia: Arundo selloana Schult, Cortaderia dioica (Spreng.) Speg, Cortaderia argentea (Nees) Stapf, Arundo selloana Schult. & Schult., Gynerium argenteum Nees

Data de atualização: 26/10/2015

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Como reconhecer

Erva perene de até 2,5 m, rizomatosa, com uma grande roseta de folhas basilar que chega a atingir 3,5 m de diâmetro, com numerosos colmos os quais são sensivelmente do mesmo tamanho da roseta, nas plantas femininas, e 2 vezes maiores nas masculinas.

Folhas: acinzentadas ou verde-azuladas, lineares, de margens muito cortantes, com ápice acuminado, formando um “v” quando vistas em corte transversal.

Flores: reunidas em panículas, semelhante a plumas grandes, densas, branco-prateadas (por vezes violeta-claras), com 40-70 cm, podendo situar-se a mais de 4 m de altura. Morfologicamente a espécie é ginodióica (ou seja, alguns indivíduos têm flores hermafroditas e flores femininas) mas funcionalmente é dióica pelo que é necessária a presença de indivíduos femininos e masculinos relativamente próximos para ocorrer formação de sementes.

Frutos: cariopses escuras de 2-2,5 mm de comprimento.

Floração: agosto a outubro.

 

Espécies semelhantes

Cortaderia jubata (Lemoine ex Carrière) Stapf é semelhante, mas a panícula é mais solta, e de cor rosada ou violeta-escuro; os colmos são 2-2,5 vezes mais longos do que a roseta de folhas; e as folhas são verde-vivo a verde-escuras.

 

Características que facilitam a invasão

Reproduz-se por via seminal produzindo muitas sementes (uma planta feminina pode produzir até 1 milhão de sementes), as quais são dispersas muito eficazmente pelo vento, originando focos de invasão em locais distantes.

 

 

Área de distribuição nativa

Parte tropical da América do Sul (Chile e Argentina).

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Minho, Trás-os-Montes, Douro Litoral, Beira Alta, Beira Litoral, Estremadura, Alto Alentejo, Baixo Alentejo, Algarve) e Açores (ilha de S. Miguel).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

Cortaderia selloana

Áreas geográficas onde há registo da presença de Cortaderia selloana

Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (Espanha, Itália, Reino Unido), oeste dos EUA (Califórnia), Austrália, Nova Zelândia.

 

Razão da introdução

Para fins ornamentais.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Dunas costeiras, ao longo de vias de comunicação e áreas perturbadas (terrenos baldios e abandonados). É uma espécie oportunista que se estabelece em áreas onde a vegetação nativa foi eliminada ou perturbada.

Espécie que se adapta a uma grande variedade de solos mas cresce melhor em solos profundos, com boa drenagem. Encontra-se muito frequentemente em áreas com muito sol, que recebam alguma humidade. É sensível ao gelo na fase de plântula, tornando-se mais tolerante com a maturação.

 

Impactes nos ecossistemas

Cresce vigorosamente e forma aglomerados densos que dominam a vegetação herbácea e arbustiva, criam barreiras à circulação da fauna e utiliza os recursos disponíveis para outras espécies.

As folhas cortantes podem limitar a utilização de áreas invadidas.

 

Impactes económicos

Custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

 

Outros impactes

Alergias.

As folhas cortantes podem causar ferimentos nas pessoas.

 

Habitats Rede Natura 2000 mais sujeitos a impactes

– Dunas fixas com vegetação herbácea («dunas cinzentas») (2130);
– Dunas com salgueiro-anão (Salix repens ssp. argentea) (Salicion arenariae) (2170);
– Dunas arborizadas das regiões atlântica, continental e boreal (2180);
– Depressões húmidas intradunares (2190);
– Dunas com prados da Malcolmietalia (2230);
– Dunas com floresta de pinheiro-manso (Pinus pinea) e/ou pinheiro-bravo (Pinus pinaster) (2270);
– Dunas interiores com prados abertos de Corynephourus e Agrostis (2330).

 

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Cortaderia selloana incluem:

 

Controlo físico

Arranque manual: metodologia preferencial para plântulas e plantas jovens presentes em solos arenosos. Em substratos mais compactados, o arranque deverá ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular. Deve garantir-se que não ficam raízes de maiores dimensões no solo e/ou rizomas arrancados em contacto com o solo, já que estes recuperam facilmente. O arranque da planta deve ser realizado com equipamento de proteção individual já que as folhas são muito cortantes.

Arranque mecânico: aplica-se a plantas de maiores dimensões. Deve garantir-se que não ficam raízes de maiores dimensões no solo e/ou rizomas arrancados em contacto com o solo, já que estes recuperam facilmente.

Uma alternativa de remoção interessante tem sido utilizada pelo Departamento de Sustentabilidade e Meio Natural do Conselho Regional de Biscaia, desde 2014 e inclui o arranque mecânico de plantas adultas com recurso a um guincho inserido num veículo.

Corte e posterior remoção da parte radicular: aplica-se a plantas de maiores dimensões sempre que não for possível o arranque. O corte pode ser realizado com motosserra ou motoroçadora e a remoção da parte radicular pode ser feita com recurso a equipamento manual e/ou mecânico. O corte da planta deve ser realizado com equipamento de proteção individual já que as folhas são muito cortantes.

Corte das panículas. Deve ser realizado antes da dispersão das sementes. Deve garantir-se que não fica qualquer panícula por cortar. As panículas cortadas devem ser retiradas do local e colocadas em sacos duplos para serem posteriormente destruídas ou aguardar a sua degradação.

 

Controlo físico + químico

Corte combinado com aplicação de herbicida. Corte dos caules tão rente ao solo quanto possível e aplicação de herbicida (princípio ativo: glifosato) nos novos rebentos.

 

Controlo químico

Aplicação foliar de herbicida: aplica-se a plantas jovens. Pulverizar com herbicida (princípio ativo: glifosato) limitando a aplicação à espécie-alvo.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

 

 

CABI (2012) Cortaderia selloana. In: Invasive Species Compendium. CAB International, Wallingford, UK. Disponível: http://www.cabi.org/isc/ [Consultado 10/11/2012].

Global Invasive Species Database (2012) Cortaderia selloana. Disponível: http://www.issg.org/database/species/ecology.asp?si=373&fr=1&sts=sss [Consultado 10/11/2012].

Herrera M, Campos JA (2006) El carrizo de la pampa (Cortaderia selloana) en Bizkaia. Guia practica para su control. Diputacion Foral de Bizkaia, Bilbau, Spain, 43 pp.

Marchante E, Freitas H, Marchante H (2008) Guia prático para a identificação de plantas invasoras de Portugal Continental. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, 183pp.

Pheloung, P.C., Williams, P.A., Halloy, S.R., 1999. A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

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