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Dicksonia antarctica

Feto arbóreo que pode atingir os 15 m de altura e 25 cm de diâmetro com o caule coberto por raízes fibrosas castanhas; tem “folhas” muito recortadas incluindo “folhas” férteis e estéreis em camadas alternadas.

Nome científico: Dicksonia antarctica Labill.

Nome vulgar: feto-arbóreo-da-Tâsmania

Família: Dicksoniaceae

Estatuto em Portugal: espécie invasora nos Açores, presente na Madeira e sem registos fora de cultura no território continental.

Nível de risco: (em desenvolvimento)

Sinonímia: Balantium antarcticum (Labill.) C. Presl

Data de atualização: 28/11/2016 | Perfil elaborado pela Equipa do projecto LIFE+ Terras do Priolo.

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Como reconhecer

Feto arbóreo perene que pode atingir os 15 m de altura e 25 cm de diâmetro. O caule é espesso, ereto, não ramificado (ainda que possa ter rebentos na base) e coberto por raízes aéreas fibrosas, castanhas, e pela base das estipes persistentes mais junto à coroa.  A base das estipes e o ápice do caule estão cobertos por pêlos castanho-avermelhados densos que podem ter até 4,5 cm. Apresenta crescimento lento (2,5 cm ao ano).

“Folhas”:  frondes reunidas numa grande coroa, alternando camadas de frondes férteis e estéreis. Frondes de 2-4m, divididas 3 vezes, estreitas, diminuindo em cada extremidade; superfície superior coberta de pêlos, margens com dentes curvos (estéreis) ou lóbulos; nervura central coberta por pelos castanhos; estipes curtas e acastanhadas com uma densa pilosidade.

“Flores”: soros dispostos um em cada lóbulo das frondes com um indúsio composto por dois tecidos de dimensão semelhante.

Espécies semelhantes

É parecido com o feto-arbóreo-australiano (Cyathea cooperi (Hook. Ex F. Muell) Domin). Distingue-se por apresentar frondes com margens de dentes curvos cuja superfície está coberta de pêlos; estipes castanho escuro, curtas e volumosas e com pilosidades ao longo da base.

Cyathea vs Dicksonia

Dicksonia antarctica (à direita) apresenta as margens das frondes mais curvas do que Cyathea cooperi (à esquerda).

Características que facilitam a invasão

Os esporos dispersam facilmente e dão origem a novas plantas.

Área de distribuição nativa

Austrália e Tasmânia.

Distribuição em Portugal

Presente nos Arquipélagos dos Açores (ilha de São Miguel) e da Madeira (Ilha da Madeira). Invasor nos Açores.

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

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Áreas geográficas onde há registo da presença de Dicksonia antarctica Labill.

Outros locais onde a espécie é invasora

É dada como naturalizada no Sri Lanka.

Razão da introdução

A introdução foi intencional para fins ornamentais em jardins e parques.

Ambientes preferenciais de invasão

Floresta de laurissilva, margens de linhas de água, ravinas, clareiras e bosques incenso e matas de criptoméria.

Embora legalmente não seja considerada invasora em Portugal, revela comportamento invasor em algumas localizações do Arquipélago dos Açores.

Impactes nos ecossistemas

A espécie forma manchas densas que rompem a estrutura, a abundância e sucessão dos ecossistemas que invade. Impede o desenvolvimento da vegetação nativa e reduz a diversidade de espécies por competição e recrutamento.

Impactes económicos

Potencialmente, custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

Habitats Rede Natura 2000 mais sujeitos a impactes

– Florestas esclerófilas mediterrânicas ( Laurissilva macaronésica) (9360);

– Florestas endémicas de Juniperus (9560).

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Dicksonia antarctica incluem:

Controlo físico

Arranque manual: o método manual é a forma mais eficaz de controlo para plantas de reduzida dimensão. A extracção total da raiz e da planta requer mão-de-obra e tempo de trabalho, no entanto, é viável e aconselhável em locais de fácil acesso, com baixo perigo de erosão ou em pequenas manchas próximo de populações de espécies raras e em perigo. Os resíduos vegetais e fragmentos da planta devem ser transportados para aterro para evitar a sua regeneração.

Corte: o método mecânico é o mais recomendado com a utilização de retroescavadoras. É um método recomendado para plantas de grandes dimensões em locais de bons acessos. A planta deverá ser cortada ou arrancada com a raiz completa e intacta, mas é necessário ter especial atenção para não se danificar a fronde, que poderá voltar a rebentar. Os resíduos vegetais e fragmentos da planta devem ser transportados para aterro para evitar a sua regeneração.

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

Borges PAV, Abreu C, Aguiar AMF, Carvalho P, Jardim R, Melo I, Oliveira P, Sérgio C, Serrano ARM, Vieira P (eds.) (2008) A list of the terrestrial fungi, flora and fauna of Madeira and Selvagens archipelagos. Direção Regional do Ambiente da Madeira e Universidade dos Açores, Funchal e Angra do Heroísmo, 440 pp.

Borges PAV, Costa A, Cunha R, Gabriel R, Gonçalves V, Martins AF, Melo I, Parente M, Raposeiro P, Rodrigues P, Santos RS, Silva L, Vieira P, Vieira V (Eds.) (2010) A list of terrestrial and marine biota from the Azores. Princípia, Cascais, 432 pp.

Jeménez S, Coelho R, López Y, Silva C (2013) Guia de Controlo de Espécies Exóticas Invasoras. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Lisboa.

Ranil RHG, Pushpakumara DKNG, Premakantha KT, Bostock PD, Ebihara A (2014) Naturalization of Dicksonia antarctica Labill. in Pidurutalagala Mountain Forest Reserve and Adjacent Eucalyptus Plantation in Sri Lanka. Bull. Natl. Mus. Nat. Sci., Ser. B, 40(3), pp. 107–112.

Schäfer H (2005) Flora of the Azores. A Field Guide. Second Enlarged edition. Margraf Publishers, Weikersheim.