Gunnera tinctoria

Erva perene até 2 m, rizomatosa, de folhas ásperas de grandes dimensões e flores verdes muito reduzidas agrupadas em espigas cónicas.

Nome científico: Gunnera tinctoria (Molina) Mirbel

Nome vulgar: gigante

Família: Gunneraceae

Estatuto em Portugal: espécie invasora (listada no Plano regional de erradicação e controlo de espécies de flora invasora em áreas sensíveis)

Nível de risco: 27 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2015.

Sinonímia: Gunnera chilensis Lam., Gunnera scabra (Ruiz.&Pav.), Panke tinctoria Molina

Data de atualização: 26/10/2015

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Como reconhecer

Erva perene até 2 m, com rizomas volumosos; caules com espinhos avermelhados, de folhas lobadas, ásperas e de grandes dimensões e flores verdes minúsculas.

Folhas: alternas, verde-escuras, com 0,8 m x 1,5 m, com 5 a 7 lobulos, ásperas e pubescentes em ambas as páginas. Pecíolos longos (até 1,5 m) cobertos com espinhos, suculentos e comestíveis na primavera.

Flores: unissexuais e hermafroditas, verdes muito pequenas (até 1 mm), sésseis,  apétalas e com 2 tépalas, reunidas em espigas até 1 m comprimento, normalmente 3 a 4 por planta.

Frutos: drupas vermelho-alaranjadas, oblongas, com 1,5-2 mm de diâmetro.

Floração: março a junho.

 

Características que facilitam a invasão

Reproduz-se por via seminal, produzindo um elevado número de sementes (cada planta pode entre 80000 e 250000 sementes) que são facilmente dispersas por aves ou pela água.

Também se reproduz por via vegetativa, por fragmentos de rizomas, apresentando taxas de crescimento muito elevadas. Os rizomas normalmente crescem próximo da superfície do solo, podendo atingir 2 m de comprimento.

Área de distribuição nativa

América do Sul (Colômbia-Chile).

 

Distribuição em Portugal

Arquipélago dos Açores (ilha de São Miguel).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

Áreas geográficas onde há registo da presença de Gunnera tinctoria

 Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (França, Irlanda, Reino Unido), Austrália, Nova Zelândia, oeste dos EUA (Califórnia).

 

Razão da introdução

Para fins ornamentais.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Margens de vias de comunicação e de linhas de água. Também invade áreas perturbadas, abandonadas.

 

 

Impactes nos ecossistemas

Forma áreas densas impenetráveis que impedem o desenvolvimento da vegetação nativa.

 

Impactes económicos

Custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

Em linhas de água pode obstruir os canais de drenagem aumentando, consequentemente, o risco de inundações.

 

 

 

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Gunnera tinctoria incluem:

 

Controlo físico

Arranque manual: metodologia preferencial para plântulas e plantas jovens e áreas invadidas de pequena dimensão. Em substratos mais compactados, o arranque deve ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular. Tanto quanto possível deve garantir-se que não ficam rizomas e/ou fragmentos dos rizomas de maiores dimensões no solo pois estes regeneram muito vigorosamente diminuindo a eficácia da metodologia.

 

Controlo físico + químico

Corte combinado com aplicação de herbicida. Corte dos caules tão rente ao solo quanto possível e posterior aplicação de herbicida (princípio ativo: triclopir, 2,4-D) na zona de corte.

 

Controlo químico

Aplicação foliar de herbicida: metodologia aplicável a áreas invadidas de maiores dimensões. Pulverizar com herbicida (princípio ativo: triclopir, 2,4-D) limitando a aplicação à espécie-alvo. Dever ser feita na altura de maior crescimento da planta.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

 

Armstrong C, Osborne B, Kelly J, Maguire CM (2009) Giant Rhubarb (Gunnera tinctoria) Invasive Species Action Plan. Prepared for NIEA and NPWS as part of Invasive Species Ireland, 18 pp.

CABI (2013) Gunnera tinctoria. In: Invasive Species Compendium. CAB International, Wallingford, UK. Disponível: http://www.cabi.org/isc/ [Consultado 04/01/2013].

DAISIE European Invasive Alien Species Gateway (2013) Gunnera tinctoria. Disponível: http://www.europe-aliens.org/speciesFactsheet.do?speciesId=6193 [Consultado 04/01/2013].

Global Invasive Species Database (2005) Gunnera tinctoria. Disponível: http://www.issg.org/database/species/ecology.asp?si=836 [Consultado 04/01/2013].

Penacho ML, Amaral RS, Malveiro A, Machado CAS, Aranha JTM (2009) Controlo de invasoras Hedychium gardnerianum e Gunnera tinctoria em áreas florestais na ilha de S. Miguel – Açores. In: SPCF (ed) 6º Congresso Florestal Nacional: A floresta num mundo globalizado, Ponta Delgada, Açores, pp. 802-806.

Penacho ML, Amaral RS, Malveiro A, Machado CAS (2011) Controlo da invasora Gunnera tinctoria em áreas florestais na ilha da São Miguel – Açores. In: Gabriel R, Elias RB (eds) Workshop Prevenção e controlo de espécies invasoras. Universidade dos Açores, Angra do Heroísmo, Açores, pp. 51-52.

Pheloung, P.C., Williams, P.A., Halloy, S.R., 1999. A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

Silva L, Corvelo R, Moura M (2008) Gunnera tinctoria (Molina) Mirbel. In: Silva L, Land EO, Luengo JLR (eds) Flora e fauna terrestre invasora na Macaronésia. Top 100 nos Açores, Madeira e Canárias. Arena, Ponta Delgada, pp. 403-405.

 

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