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Hakea salicifolia

Arbusto ou pequena árvore perene de folhas lineares e raminhos avermelhados.

Nome científico: Hakea salicifolia (Vent.) B.L. Burtt.

Nome vulgar: háquea-folhas-de-salgueiro

Família: Proteaceae

Estatuto em Portugal: espécie invasora (listada no anexo I do Decreto-Lei n° 565/99, de 21 dezembro)

Nível de risco: 19 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2015.

Sinonímia: Embothryum salicifoliumVent., Hakea saligna (Andrews) Knight

Data de atualização: 26/10/2015

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Como reconhecer

Arbusto ou pequena árvore de até 5 m, de raminhos avermelhados.

Folhas: perenes, glabras, de pecíolo curto, planas, com 5-10,5 x 0,5-2 cm, lanceoladas ou estreitamente elípticas, com ápices avermelhados em novas; tonalidade muito semelhante nas duas páginas da folha.

Flores: brancas, pouco vistosas, em fascículos axilares de 4-9 flores.

Frutos: folículos lenhosos com 2-2,5 x 1-2 cm, ovoides, ± rugosos com ponta encurvada.

Floração: março a abril.

 

Espécies semelhantes

Algumas acácias (A. longifolia e A. retinodes) e alguns salgueiros são semelhantes, mas nenhum apresenta como frutos folículos. As acácias têm flores amarelas e vagens; e os salgueiros têm frequentemente pelos na página inferior da folha, e diferentes tonalidades nas duas páginas da folha. Adicionalmente, H. salicifolia apresenta o ápice das folhas jovens avermelhado, o que não acontece com a maioria das espécies semelhantes.

 

Características de invasão

Reproduz-se por via seminal produzindo muitas sementes, que permanecem nas árvores por longos períodos de tempo e uma vez libertadas germinam rapidamente se tiverem condições apropriadas. O fogo pode levar à germinação de grande quantidade de sementes.

 


Área de distribuição nativa

Sudeste da Austrália e Tasmânia.

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Minho, Douro Litoral, Beira Baixa, Beira Litoral, Estremadura, Baixo Alentejo e Algarve).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

Hakea salicifolia

Áreas geográficas onde há registo da presença de Hakea salicifolia

Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (França), África do Sul, Austrália (Vitória), Nova Zelândia.

 

Razão da introdução

Para fins ornamentais e para formação de sebes em sítios ventosos, principalmente próximo do litoral mas também noutros locais.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Áreas perturbadas e sítios ventosos e secos, sobretudo perto do mar e adjacentes a sebes onde foi plantada.

Prefere zonas de luz pelo que o seu estabelecimento depende das clareiras originadas por perturbações.

Adaptada a solos pobres em nutrientes.

 

Por vezes, confundida com Acacia longifolia o que pode levar a subestimar a área invadida.

Impactes nos ecossistemas

Forma povoamentos densos impedindo o desenvolvimento da vegetação nativa.

 

Impactes económicos

Custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

 

Habitats Rede Natura 2000 mais sujeitos a impactes

– Florestas mistas de carvalho-alvarinho (Quercus robur), ulmeiro (Ulmus minor) e freixo (Fraxinus angustifolia) das margens dos grandes rios (91F0);
– Dunas fixas com vegetação herbácea («dunas cinzentas») (2130);
– Dunas fixas descalcificadas atlânticas (Calluno-Ulicetea) (2150);
– Matagais arborescentes de loureiro (Laurus nobilis) (5230);
– Matos termomediterrânicos pré-desérticos (5330).

 

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Hakea salicifolia incluem:

 

Controlo físico

Arranque manual: metodologia preferencial para plântulas e indivíduos jovens. Em substratos mais compactados, o arranque deverá ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular.

 

Controlo físico + químico

Corte combinado com aplicação de herbicida: metodologia preferencial para plantas adultas. Corte do tronco tão rente ao solo quanto possível e aplicação imediata (impreterivelmente nos segundos que se seguem) de herbicida (princípio ativo: glifosato) na touça.

 

Controlo químico

Aplicação foliar de herbicida: aplica-se a germinação elevada. Pulverizar com herbicida (princípio ativo: glifosato) limitando a aplicação à espécie-alvo.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

Marchante E, Freitas H, Marchante H (2008) Guia prático para a identificação de plantas invasoras de Portugal Continental. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, 183pp.

Pheloung, P.C., Williams, P.A., Halloy, S.R., 1999. A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

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