Hakea sericea-2

Hakea sericea

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Arbusto ou pequena árvore perene, de folhas em agulha, robustas e muito picantes.

Nome científico: Hakea sericea Schrader

Nomes vulgares: háquea-picante, espinheiro-bravo, salina, háquea-espinhosa

Família: Proteaceae

Estatuto em Portugal: espécie invasora (listada no anexo I do Decreto-Lei n° 565/99, de 21 dezembro)

Nível de risco: 22 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2015.

Sinonímia: Hakea acicularis (Sm. ex Vent.) Knight, Hakea acicularis (Vent.) R. Br., Hakea tenuifolia (Salisb.) Domin.

Data de atualização: 26/10/2015

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Como reconhecer

Arbusto ou pequena árvore de até 4 m, de copa irregular.

Folhas: perenes, em agulha de 0,5-1,5 mm de diâmetro, muito robustas, com 4-8 cm, extremamente aguçadas, verde-escuras a verde-acinzentadas.

Flores: brancas, pouco vistosas, reunidas em fascículos axilares com 1-7 flores.

Frutos: folículos lenhosos, com 3 (-4) cm, castanho-escuros, com crista e bico patentes, contendo duas sementes aladas, pretas.

Floração: janeiro a abril.

 

Espécies semelhantes

Existem outras espécies de Hakea relativamente semelhantes, também espinhosas (Hakea gibbosa (Sm.) Cav., por exemplo), mas não foram ainda referidas para Portugal.

 

Características que facilitam a invasão

Reproduz-se por via seminal. Frequentemente as sementes permanecem aprisionadas nos frutos, agarrados à árvore, ao longo da vida da planta, sendo libertadas quando a árvore é queimada ou morre. As sementes são depois libertadas e projetadas para grandes distâncias criando novos focos de invasão que frequentemente ocupam áreas muito extensas.

 

Área de distribuição nativa

Sul da Austrália.

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Trás-os-Montes, Minho, Douro Litoral, Beira Baixa, Beira Litoral, Estremadura, Ribatejo, Baixo Alentejo e Algarve).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

Áreas geográficas onde há registo da presença de Hakea sericea

Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (Espanha), África do Sul, Nova Zelândia.

 

Razão da introdução

Para fins ornamentais e para formação de sebes de proteção.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Áreas perturbadas, como margens de vias de comunicação. Invade também áreas (semi)naturais, onde é cada vez mais frequente.

Ocorre em grandes extensões, em densidades elevadas, frequentemente na sequência de incêndios que queimam indivíduos pontuais/sebes.

Resistente ao vento e à secura.

 

 

Impactes nos ecossistemas

Forma bosquetes densos e impenetráveis impedindo o desenvolvimento da vegetação nativa, afetando a vida selvagem, reduzindo a quantidade de água disponível e aumentando a probabilidade de ocorrência de fogo.

 

Impactes económicos

Custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

 

Outros impactes

As folhas picantes ferem, impedem a presença de animais e dificultam as operações de controlo.

 

Habitats Rede Natura 2000 mais sujeitos a impactes

– Charnecas secas europeias (4030);
– termomediterrânicos pré-desérticos (5330).

 

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Hakea sericea incluem:

 

Controlo físico

Arranque manual: metodologia preferencial para plântulas e plantas jovens. Em substratos mais compactados, o arranque deve ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular.

Corte: metodologia preferencial para plantas jovens e adultas. Corte do tronco tão rente ao solo quanto possível com recurso a equipamentos manuais e/ou mecânicos. Deve ser realizado antes da maturação das sementes. Após o corte, as plantas cortadas devem ser deixadas a secar por 12-18 meses até libertarem as sementes e estas começarem a germinar. De seguida, deve queimar-se a biomassa remanescente, provocando a morte das sementes restantes e das plântulas. Alternativamente, pode proceder-se ao destroçamento da biomassa.

É uma metodologia eficaz mas dispendiosa e com consequências para a vegetação nativa, se existir.

 

Controlo químico

Aplicação foliar de herbicida: aplica-se a plantas jovens ou germinação elevada. Pulverizar com herbicida (princípio ativo: triclopir) limitando a aplicação à espécie-alvo.

 

Controlo biológico

Na África do Sul têm-se obtido bons resultados com dois agentes: Erytenna consputa Pascoe (Coleoptera: Curculionidae), um gorgulho que se alimenta das sementes; Carposina autologa Meyrick (Lepidoptera: Carposinidae), que destrói também as sementes.

Nenhum destes agentes foi ainda testado em Portugal, de forma a verificar a sua segurança relativamente às espécies nativas, pelo que a sua utilização não constitui ainda uma alternativa.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

Agricultural Research Council – Plant Protection Research Institute – Weed Research Division (2014) Management of invasive alien plants: A list of biocontrol agents released against invasive alien plants in South Africa. Disponível: http://www.arc.agric.za/arc-ppri/Documents/WebAgentsreleased.pdf [Consultado 16/10/2014].

Gordon AJ (1999) A review of established and new insect agents for the biological control of Hakea sericea Schrader (Proteaceae) in South Africa. African Entomology. Memoir n°1: 35-43.

Marchante E, Freitas H, Marchante H (2008) Guia prático para a identificação de plantas invasoras de Portugal Continental. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, 183pp.

Pheloung, P.C., Williams, P.A., Halloy, S.R., 1999. A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

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