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Hedychium gardnerianum

Erva perene até 1,5-3 m, rizomatosa, de flores amarelas, fragrantes e reunidas em inflorescências eretas.

Nome científicoHedychium gardnerianum Sheppard ex Ker Gawl.

Nomes vulgares: conteira, roca-da-velha, choupa, roca-de-vénus, bananilha, roca-do-vento, rubim, flor-de-besouro

Família: Zingiberaceae

Estatuto em Portugal: espécie invasora (listada no Plano regional de erradicação e controlo de espécies de flora invasora em áreas sensíveis)

Nível de risco: 18 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2015.

Sinonímia: Gamochilus speciosus T. Lestib., Hedychium pallidium Regel, Hedychium gardnerianum var. pallidium Regel

Data de atualização: 26/10/2015

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Como reconhecer

Erva perene até 1,5-2 m, com rizomas de grandes dimensões, de caules folhosos e flores aromáticas dispostas em grandes inflorescências eretas.

Folhas: alternas, oblongas a lanceoladas, sésseis, acuminadasinteiras, com 20-60 x 5-12,5 cm, verde-escuras e glabras na páginas superior e esparsamente pubescentes e esbranquiçadas na página inferior.

Flores: amarelas com um só estame vermelho, tubulosas, dispostas em inflorescências eretas (espigas), ovoides, com 15-20 x 8 cm.

Frutos: cápsulas até 1,5 cm comprimento, vermelho-alaranjadas por dentro, contendo numerosas sementes pequenas (5-6 mm), avermelhadas e envoltas por um arilo.

Floração: julho a outubro.

 

Espécies semelhantes

Existem outras espécies de Hedychium com as quais Hedychium gardnerianum pode ser confundida. No entanto, a cor das flores é característica distintiva. No arquipélago dos Açores Hedychium coronarium J. Koening é também invasora e distingue-se de Hedychium gardnerianum por ter flores brancas.

 

Características que facilitam a invasão

Reproduz-se por via seminal, produzindo um elevado número de sementes (cada espiga contém, em média, entre 300 a 500 sementes) que são facilmente dispersas pelo vento, água e aves.

Também se reproduz por via vegetativa, através de rizomas.

Área de distribuição nativa

Ásia (Índia, este dos Himalaias e Nepal).

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Beira Litoral e Estremadura), arquipélago dos Açores (todas as ilhas), arquipélago da Madeira (ilha da Madeira).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

Hedychium gardneranium

Áreas geográficas onde há registo da presença de Hedychium gardneranium

 

Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (Espanha, França), ilhas do Pacífico (Micronésia, Cook, Polinésia Francesa), América do Norte (EUA – Havai), Austrália, Nova Zelândia, América do Sul (Caraíbas), África do Sul.

 

Razão da introdução

Para fins ornamentais.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Margens de linhas de água e de vias de comunicação, áreas perturbadas, agrícolas e florestais.

Também invade áreas naturais e seminaturais.

 

 

Impactes nos ecossistemas

O crescimento rápido leva à formação de áreas densas impenetráveis que impedem o desenvolvimento da vegetação nativa.

 

Impactes económicos

Custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

Nas margens das ribeiras, quando ocorrem em grande número, pode obstruir os canais de drenagem aumentando, consequentemente, o risco de inundações.

 

Outros impactes

Planta muito aromática, podendo provocar reações alérgicas.

 

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Hedychium gardnerianum incluem:

 

Controlo físico

Arranque manual: metodologia preferencial para áreas invadidas de pequena dimensão. Em substratos mais compactados, o arranque deve ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular. Tanto quanto possível deve garantir-se que não ficam rizomas e/ou fragmentos dos rizomas de maiores dimensões no solo pois estes regeneram muito vigorosamente diminuindo a eficácia da metodologia.

 

Controlo físico + químico

Corte combinado com aplicação de herbicida: metodologia aplicável a áreas invadidas de grande dimensão. Corte dos caules tão rente ao solo quanto possível e posterior aplicação de herbicida (princípio ativo: metsulfurão-metilo) na zona de corte. Alguns autores referem que os rebentos são mais sensíveis ao herbicida pelo que, alternativamente, a aplicação de herbicida pode ser realizada quando os rebentos atingirem 50 a 60 cm altura.

 

Controlo químico

Aplicação foliar de herbicida: metodologia aplicável a plântulas e plantas jovens, até 50 cm altura. Pulverizar com herbicida (princípio ativo: metsulfurão-metilo) limitando a aplicação à espécie-alvo. Deve ser feita na altura de maior crescimento da planta.

 

Controlo biológico

A bactéria Ralstonia solanacearum (E. F. Smith) foi testada, no Havai, como agente de controlo biológico de Hedychium gardnerianum mas, o seu uso ainda não é autorizado.

Este agente não foi ainda testado em Portugal, de forma a verificar a sua segurança relativamente às espécies nativas, pelo que a sua utilização ainda não constitui uma alternativa no nosso país.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

 

Anderson RC, Gardner DE (1999) An evaluation of the wilt-causing bacterium Ralstonia solanacearum as a potential biological control agent for the alien kahili ginger (Hedychium gardnerianum) in Hawaiian forests. Biological Control 15(2): 89-96.

CABI (2013) Hedychium gardnerianum. In: Invasive Species Compendium. CAB International, Wallingford, UK. Disponível: http://www.cabi.org/isc/ [Consultado 06/01/2013].

Cordeiro N, L Silva (2003) Seed production and vegetative growth of Hedychium gardnerianum Ker-Gawler (Zingiberaceae) in São Miguel Island (Azores). Arquipélago, Life and Marine Sciences 20A: 31-36.

Csurhes S, Hannan-Jones M (2008) Pest plant risk assessment: Kahili ginger (Hedychium gardnerianum), White ginger (Hedychium coronarium), Yellow ginger (Hedychium flavescens). Biosecurity Queensland, Department of Primary Industries and Fisheries, Brisbane,  22pp.

DAISIE European Invasive Alien Species Gateway (2013) Hedychium gardnerianum. Disponível: http://www.europe-aliens.org/speciesFactsheet.do?speciesId=5464# [Consultado 06/01/2013].

Global Invasive Species Database (2005) Hedychium gardnerianum. Disponível: http://www.issg.org/database/species/ecology.asp?si=57&fr=1&sts=sss&lang=EN [Consultado 06/01/2013].

Govaerts R (2013) Hedychium gardnerianum Sheppard ex Ker Gawl. Facilitated by the Royal Botanic Gardens, Kew. Disponível: http://apps.kew.org/wcsp/ [Consultado 06/01/2013].

Penacho ML, Amaral RS, Malveiro A, Machado CAS, Aranha JTM (2009) Controlo de invasoras Hedychium gardnerianum e Gunnera tinctoria em áreas florestais na ilha de S. Miguel – Açores. In: SPCF (ed) 6º Congresso Florestal Nacional: A floresta num mundo globalizado, Ponta Delgada, Açores, pp. 802-806.

Pheloung, P.C., Williams, P.A., Halloy, S.R., 1999. A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

PIER (Pacific Island Ecosystems at Risk) (2003) Hedychium gardnerianum. Disponível: http://www.hear.org/pier/species/hedychium_gardnerianum.htm [Consultado 06/01/2013].

Silva L, Corvelo R, Moura M, Fernandes FM (2008) Hedychium gardnerianum Sheppard ex Ker Gawl. In: Silva L, Land EO, Luengo JLR (eds) Flora e fauna terrestre invasora na Macaronésia. Top 100 nos Açores, Madeira e Canárias. Arena, Ponta Delgada, pp. 217-220.

 

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