Folhas recortadas em muitos segmentos e reunidas em grupos de 4-6 por cada nó.

Myriophyllum aquaticum

Erva aquática, semelhante a um pequeno pinheirinho, com folhas emergentes azul-esverdeadas.

Nome científico: Myriophyllum aquaticum (Velloso) Verdc.

Nomes vulgares: pinheirinha, milefólio-aquático, pinheirinha-de-água

Família: Haloragaceae

Estatuto em Portugal: espécie invasora (listada no anexo I do Decreto-Lei n° 565/99, de 21 dezembro e incluída na lista de espécies que suscitam preocupação na União Europeia, pelo Regulamento (UE) n. o 1143/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho de 22 de outubro de 2014)

Nível de risco: 23 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2015.

Sinonímia: Myriophyllum brasiliense Cambess, Myriophyllum aquaticum (Vell.) Verdc., Enydria aquatica Vell., Myriophyllum proserpinacoides Gillies ex Hook. & Arn.

Data de atualização: 26/10/2015

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Como reconhecer

Erva aquática de até 2 m, por vezes sub-lenhosa na base.

Folhas: 4-6 folhas por nó, com 15-40 mm, normalmente mais longas (as emergentes) do que os entrenós; folhas emergentes verde-azuladas, cobertas por glândulas hemisféricas, minúsculas e transparentes, recortadas em 8-30 segmentos de 3-6 mm.

Flores: unissexuais, amareladas ou rosa-claras, solitárias, axilares; pétalas das flores masculinas com 5 mm, inexistentes nas femininas.

Frutos: ovoides, papilosos, com 1,8 X 1,2 mm.

Floração: maio a outubro.

 

Espécies semelhantes

Myriophyllum verticillatum L. é relativamente semelhante, mas as folhas têm geralmente mais segmentos (24-35), as flores são verticiladas e as pétalas das flores masculinas têm apenas 2,5 mm.

 

Características que facilitam a invasão

Fora da área de distribuição nativa, reproduz-se apenas vegetativamente por fragmentação dos caules. Não forma autofragmentos, mas estes formam-se por ações mecânicas, enraizando rapidamente.

Os rizomas são resistentes, viajando longas distâncias agarrados ao fundo de embarcações. As partes aéreas crescem tanto fora de água como submersas.

 

Área de distribuição nativa

América do Sul: Estados meridionais do Brasil, Peru, Uruguai, Argentina e Chile.

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Minho, Douro Litoral, Beira Litoral, Estremadura, Ribatejo, Alto Alentejo).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

Áreas geográficas onde há registo da presença de Myriophyllum aquaticum

Outros locais onde a espécie é invasora

Partes da Europa, Austrália, África do Sul, Nova Zelândia, América do Norte, Japão, Indonésia.

 

Razão da introdução

Para fins ornamentais, apesar de haver alguma controvérsia relativamente a uma possível introdução acidental. Utilizada como planta ornamental em aquariofilia.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Lagoas, valas, linhas de água, pântanos e solos encharcados.

 

 

Impactes nos ecossistemas

Forma tapetes que podem cobrir totalmente a superfície da água. O seu crescimento reduz a qualidade da água, a biodiversidade, a luz disponível e o fluxo de água.

 

Impactes económicos

Diminui o aproveitamento recreativo das zonas invadidas e pode causar problemas em sistemas de rega.

Custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

 

Outros impactes

Aumenta a incidência de mosquitos.

 

Habitats Rede Natura 2000 mais sujeitos a impactes

– Águas oligomesotróficas calcárias com vegetação bêntica de Chara spp. (3140);
– Lagos eutróficos naturais com vegetação da Magnopotamion ou da Hydrocharition (3150);
– Lagos e charcos distróficos naturais (3160);
– Cursos de água mediterrânicos permanentes da Paspalo-Agrostidion com cortinas arbóreas ribeirinhas de Salix e Populus alba(3280).

 

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Myriophyllum aquaticum incluem:

 

Controlo físico

Remoção manual/mecânica (metodologia preferencial). Remoção manual ou com recurso a redes, dragagem. Para o sucesso desta metodologia é fundamental que não se criem e/ou fiquem fragmentos de grandes dimensões na água.

Ensombramento das massas de água invadidas. O ensombramento pode ser conseguido quer pela plantação de árvores nas margens das áreas afectadas ou pela colocação de uma cobertura opaca.

 

Controlo químico

Aplicação foliar de herbicida. Pulverizar com herbicida (princípio ativo: 2,4-D em formulações adaptadas a ambientes aquáticos) limitando a aplicação à espécie-alvo.

 

Controlo biológico

O escaravelho desfolhador Lysathia sp. (Coleoptera: Chrysolmelidae), foi introduzido na África do Sul, em 1994, causando atualmente danos extensos em Myriophyllum aquaticum.

Este agente não foi ainda testado em Portugal, de forma a verificar a sua segurança relativamente às espécies nativas, pelo que a sua utilização ainda não constitui uma alternativa no nosso país.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta desta metodologia.

Agricultural Research Council – Plant Protection Research Institute – Weed Research Division (2014) Management of invasive alien plants: A list of biocontrol agents released against invasive alien plants in South Africa. Disponível: http://www.arc.agric.za/arc-ppri/Documents/WebAgentsreleased.pdf [Consultado 16/10/2014].

CABI (2012) Myriophyllum aquaticum. In: Invasive Species Compendium. CAB International, Wallingford, UK. Disponível: http://www.cabi.org/isc/ [Consultado 10/11/2012].

Cilliers CJ (1999) Biological control of parrot’s feather, Myriophyllum aquaticum (Vell.) Verdc. (Haloragaceae), in South Africa. African Entomology Memoir no1: 113-118.

Dufour-Dror J-M (2012) Alien invasive plants in Israel. The Middle East Nature Conservation Promotion Association, Ahva, Jerusalem, 213pp.

Global Invasive Species Database (2012) Myriophyllum aquaticum. Disponível: http://www.issg.org/database/species/ecology.asp?si=70&fr=1&sts=sss [Consultado 12/11/2012].

Marchante E, Freitas H, Marchante H (2008) Guia prático para a identificação de plantas invasoras de Portugal Continental. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, 183pp.

Moreira I, Monteiro A, Ferreira T (1999) Biology and controlo of parrotfeather (Myriophyllum aquaticum) in Portugal. Ecology, Environment and Conservation 5(3): 171-179.

Pheloung, P.C., Williams, P.A., Halloy, S.R., 1999. A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

Teles NA, Pinto da Silva AR (1975) A “pinheirinha” (Myriophyllum aquaticum (Vell.) Verdc.), uma agressiva infestante aquática. Agronomia lusitana, 36(3): 307-323.

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