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Oenothera glazioviana

Erva bianual ou perene de até 1,5 m, com caules verdes ou avermelhados e flores amarelas grandes.

Nome científicoOenothera glazioviana Micheli.

Nome vulgar: erva-dos-burros

FamíliaOnagraceae

Estatuto em Portugal: espécie naturalizada

Nível de risco: 11 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2015.

Sinonímia: Oenothera coronifera Renner; Oenothera fusiformis Munz & I.M. Johnst.; Onagra erythrosepala Borbás; Onagra grandiflora (L’Hér.) Cockerell & Atkins 

Data de atualização: 30/01/2017

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Como reconhecer

Erva bianual ou perene de até 1,5 m, com caules verdes ou avermelhados.

Folhas: folhas da roseta basilar oblanceoladas, com 15-30 x 3-5 cm; folhas caulinares elípticas a lanceoladas, + curtas.

Flores: reunidas em inflorescência densa não interrompida pelos ramos laterais; sépalas amarelas ± avermelhadas; pétalas com 3,5-5,5 cm, amarelas.

Frutos: cápsulas com 2-3,5 cm, ± cilíndricas atenuadas no ápice.

Floração: junho a setembro.

 

Espécies semelhantes

Pelo menos 6 espécies exóticas de Oenothera surgem fora de cultura em Portugal. Também de pétalas amarelas e sem ramos a interromper a inflorescênciaO. biennis L. com pétalas menores (1,5 – 2,5 cm) e sépalas verdes. As duas formam híbridos.

As outras espécies de Oenothera também presentes em Portugal (por exemplo, O. stricta subsp. stricta), e cujas flores também são amarelas, têm a inflorescência geralmente interrompida por ramos laterais o que ajuda na sua distinção; o mais frequente é terem e as pétalas mais pequenas.

Características que facilitam a invasão

Reproduz-se por sementes  que, embora apenas 50% sejam férteis,  são numerosas e  facilmente dispersas por acção do Homem (novas vias de comunicação, movimentos de terra, e perturbação das margens dos rios).

Área de distribuição nativa

Originada por cruzamento espontâneo de duas espécies Norte americanas.

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro, Douro Litoral, Beira Baixa, Beira Litoral, Ribatejo, Algarve) e Açores (Flores, Faial, Pico, Graciosa, São Jorge, Terceira, São Miguel e Santa Maria).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

 

 

Áreas geográficas onde há registo da presença de Oenothera glazioviana

Áreas geográficas onde há registo da presença de Oenothera glazioviana.

 

Outros locais onde a espécie é invasora

Algumas espécies de Oenothera são invasoras na Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, EUA, Chile e em vários países da Europa.

Razão da introdução

Para fins ornamentais.

Ambientes preferenciais de invasão

Requer determinado nível de humidade no solo, bem como de azoto, pelo que os habitats onde se desenvolve mais frequentemente são os locais perturbados e/ou abertos, húmidos (bordas de caminhos, margens de rio, baldios frescos). Encontra-se tanto em áreas de média montanha, como basais, ainda que seja mais abundante em terrenos arenosos ou pedregosos próximos do litoral.

Embora legalmente não seja considerada invasora em Portugal, revela comportamento invasor em algumas localizações.

Impactes nos ecossistemas

Embora o mais frequente seja não se encontrar em lugares de grande valor ecológico, deve ter-se em consideração que a colonização de ambientes alterados pelas actividades humanas é quase sempre a primeira etapa nos processos de naturalização e posterior invasão de áreas naturais. Assim, é recomendável ter atenção a novas localizações e, no caso de ser observada em espaços valiosos ou bem conservados, proceder à sua eliminação.

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Oenothera glazioviana incluem:

Controlo físico

Arranque manual: considerando o tamanho relativamente grande da planta, a ausência de órgãos subterrâneos, a consistência herbácea e a ausência de elementos que piquem ou urticantes, o mais recomendado é a remoção manual dos indivíduos e a sua destruição posterior, antes da frutificação para se antecipar a dispersão das sementes. As intervenções devem repetir-se durante vários anos nas zonas invadidas para esgotar os possíveis bancos de sementes que possam existir no solo.

Controlo químico

No caso de ser necessário poderia recorrer-se a diversas matérias activas com acção sobre dicotiledóneas herbáceas perenes.

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

DAISIE European Invasive Alien Species Gateway (2012) Oenothera glazioviana. Disponível: http://www.europe-aliens.org/speciesFactsheet.do?speciesId=9909 [Consultado 15/09/2015].

Flora Digital de Portugal (2014) Oenothera glazioviana. Disponível: http://jb.utad.pt/especie/oenothera_glazioviana [Consultado 15/09/2015].

Marchante H, Morais M, Freitas H, Marchante E (2014) Guia Prático para a Identificação de Plantas Invasoras em Portugal. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, pp. 116.

Pheloung PC, Williams PA, Halloy SR (1999) A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

Sanz-Elorza M, Sánchez EDD, Vesperina ES (2004) Atlas de las plantas alóctonas invasoras en España. Dirección General para la Biodiversidade, Madrid, 212-213pp.

The Plant List. Oenothera glazioviana Micheli. Disponível: http://www.theplantlist.org/tpl1.1/record/kew-2398876 [Consultado 15/09/2015].