Opuntia ficus-indica (8)

Opuntia ficus-indica

Cato de grandes dimensões, até 6 m, de frutos comestíveis que se assemelham a figos.

Nome científico: Opuntia ficus-indica (L.) Miller

Nomes vulgares: figueira-da-Índia, figueira-da-barbária, piteira, figueira-do-diabo, babosa

Família: Cactaceae

Estatuto em Portugal: espécie invasora

Nível de risco: 29 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2015.

Sinonímia: Opuntia maxima Miller, Opuntia gymnocarpa Weber, Opuntia ficus-barbarica A. Berge

Data de atualização: 26/10/2015

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Como reconhecer

Arbusto suculento (cato) de até 6 m; cladódios terminais com 30-50 cm, oblongos ou oblongo-obovados, verdes no início e por fim cinzentos.

Folhas: minúsculas (5 x 2 mm), cónicas, caducas ; auréolas geralmente evidentes com gloquídios numerosos; espinhos variáveis em densidade (0 a 6) e tamanho (2-5 a 10-40 mm), finos, retos e esbranquiçados.

Flores: com 7-8 cm de diâmetro, amarelas ou laranja-intenso; filetes amarelo-pálidos.

Frutos: pseudobagas com 5-6 x 3-4 cm, obovoide-oblongas, acentuadamente umbilicadas no ápice, amarelas, púrpuras ou variegadas.

Floração: maio a junho.

 

Espécies semelhantes

Opuntia ficus-indica distingue-se de outras espécies de Opuntia, também invasoras em Portugal, pelo tamanho e forma dos cladódios. Opuntia elata Salm-Dyck é muito semelhante mas distingue-se de O. maxima pela presença de cladódios cilíndricos não aplanados e espinhos muito mais compridos. Opuntia subulata (Mühlenpf.) Engelm é mais diferente distinguindo-se de O. ficus-indica pelo menor tamanho dos cladódios os quais são quase cilíndricos. Opuntia stricta (Haw.) Haw. distingue-se de O. ficus-indica pelo menor tamanho dos cladódios, pela presença de 3-8 espinhos robustos e pelos frutos menos carnudos.

Características que facilitam a invasão

Reproduz-se por via seminal produzindo um elevado número de sementes.

Também se reproduz vegetativamente, por fragmentos do caule que se desprendem facilmente, enraízam e originam novas plantas.

 

Área de distribuição nativa

Parte tropical da América (desde México até Colômbia).

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Trás-os-Montes e Alto Douro, Beira Alta, Beira Baixa, Beira Litoral, Estremadura, Ribatejo, Alto Alentejo, Baixo Alentejo, Algarve), arquipélago dos Açores (ilhas de São Miguel e Santa Maria).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

Áreas geográficas onde há registo da presença de Opuntia ficus-indica

Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (Espanha), África do Sul, África, Austrália, América do Norte (Califórnia, Havai), Ásia Ocidental.

 

Razão da introdução

Para fins ornamentais, pelo fruto comestível e para uso em sebes.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Invade zonas áridas com vegetação herbácea e arbustiva, zonas rochosas e zonas costeiras. Invade também áreas perturbadas, como margens de vias de comunicação, de jardins ou de locais onde foi plantada.

 

Impactes nos ecossistemas

Forma povoamentos densos, impenetráveis, que impedem o desenvolvimento da vegetação nativa e a presença de animais.

 

Impactes económicos

Custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

Os espinhos das folhas ferem, impedem a presença de animais e podem dificultar as operações de controlo.

 

Habitats Rede Natura 2000 mais sujeitos a impactes

– Falésias com vegetação das costas mediterrânicas com Limonium spp. endémicas (1240);
– Falésias com flora endémica das costas macaronésicas (1250);
– Dunas fixas descalcificadas atlânticas (Calluno-Ulicetea) (2150);
– Dunas litorais com Juniperus spp. (2250);
– Matos termomediterrânicos pré-desérticos (5330);
– Friganas mediterrânicas ocidentais dos cimos de falésia (Astragalo-Plantaginetum subulatae) (5410);
– Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica (8220).

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Opuntia ficus-indica incluem:

 

Controlo físico

Arranque manual/mecânico antecedido ou não de corte dos caules (metodologia preferencial). Em substratos mais compactados, o arranque deve ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular. Deve garantir-se que não ficam frutos, raízes de maiores dimensões e fragmentos dos cladódios no solo, os quais enraízam facilmente originando novos focos de invasão.

Todo o material arrancado/cortado deve ser retirado do local para posterior destruição e queima.

 

Controlo químico

Injeção de herbicida nos caules. Injeção de herbicida (principio ativo: glifosato) nos caules. Deve ser realizado antes do desenvolvimento do fruto, já que as sementes dos frutos ainda verdes já são viáveis.

 

Controlo biológico

Em vários países são utilizados diferentes agentes de controlo biológico que têm revelado alguma eficácia, nomeadamente: Cactoblastis cactorum (Bergroth) (Lepidoptera: Pyralidae) e Metamasius spinolae (Coleoptera: Curculionidae), que se alimentam no interior dos cladódios; Dactylopius opuntiae (Cockerell) (Hemiptera: Dactylopiidae) uma cochonilha que suga a seiva.

Nenhum destes agentes foi ainda testado em Portugal, de forma a verificar a sua segurança relativamente às espécies nativas, pelo que a sua utilização não constitui ainda uma alternativa no nosso país.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta desta metodologia.

Agricultural Research Council – Plant Protection Research Institute – Weed Research Division (2014) Management of invasive alien plants: A list of biocontrol agents released against invasive alien plants in South Africa. Disponível: http://www.arc.agric.za/arc-ppri/Documents/WebAgentsreleased.pdf [Consultado 16/10/2014].

CABI (2012) Opuntia ficus-indica. In: Invasive Species Compendium. CAB International, Wallingford, UK. Disponível: http://www.cabi.org/isc/ [Consultado 10/11/2012].

Dana ED, Sanz-Elorza M, Vivas S, Sobrino E (2005) Especies vegetales invasoras en Andalucía. Consejería de Medio Ambiente, Junta de Andalucía, Sevilla, 233pp.

Gallo AG, Delgado OR, Land EO, Silva L (2008) Opuntia ficus-indica (L.) Mill. In: Silva L, Land EO, Luengo JLR (eds) Flora e fauna terrestre invasora na Macaronésia. Top 100 nos Açores, Madeira e Canárias. Arena, Ponta Delgada, pp. 229-232.

Hoffmann JH, Moran VC, Zimmermann HG (1999) Integrated management of Opuntia stricta (Haworth) Haworth (Cactaceae) in South Africa: an enhanced role for two, renowned, insect agents. African Entomology. Memoir n°1: 15-20.

Marchante E, Freitas H, Marchante H (2008) Guia prático para a identificação de plantas invasoras de Portugal Continental. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, 183pp.

Pheloung, P.C., Williams, P.A., Halloy, S.R., 1999. A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

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