albizia_lophanta (14)

Paraserianthes lophantha

Arbusto ou pequena árvore perene, de folhas compostas e espigas grandes, amarelo-esbranquiçadas.

Nome científico: Paraserianthes lophantha (Willd.) I.C. Nielsen

Nomes vulgares: albízia, giesta

Família: Fabaceae (Leguminosae)

Estatuto em Portugal: espécie invasora

Nível de risco: 14 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2015.

Sinonímia: Albizia lophantha (Will.) Benth.

Data de atualização: 26/10/2015

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Como reconhecer

Arbusto ou pequena árvore de até 6 m; ritidoma liso, cinza-escuro, fissurado quando velho.

Folhas: perenes, alternas, recompostas, de 12-23 cm de comprimento, com 8-13 pares de pínulas, por sua vez com 15-40 pares de folíolos oblongos, assimétricos e mucronados, estes com 4-10 x 1-4 mm, verde-escuros na página superior e bastante mais claros na página inferior.

Flores: amarelo-esbranquiçadas reunidas em espigas de 4-8 cm de comprimento, frequentemente reunidas em grupos de 2.

Frutos: vagens castanho-escuras, comprimidas, retas, oblongas, com 8-12 x 1,5-2,5 cm e 6-12 sementes pretas.

Floração: julho a agosto.

 

Espécies semelhantes

Albizia julibrissin Durazz. (albízia-de-constantinopla) tem alguma semelhança, mas forma uma árvore maior, tem folhas maiores (com mais pínulas e folíolos, os quais são falciformes), flores rosadas reunidas em capítulos e vagens com forma mais irregular. Jacaranda mimosaefolia D. Don (jacarandá) também tem alguma semelhança mas tem folhas oposto-cruzadas, flores azul-violeta e os frutos são cápsulas achatadas de forma suborbicular.

Características que facilitam a invasão

Reproduz-se por via seminal produzindo muitas sementes. As sementes são dispersas pelo vento e por animais, sobretudo por aves e formigas. Germina intensivamente após a passagem do fogo.

Área de distribuição nativa

Austrália.

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Douro Litoral, Beira Litoral, Estremadura, Alto Alentejo, Algarve), arquipélago da Madeira (ilhas da Madeira e Porto Santo).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

Áreas geográficas onde há registo da presença de Paraserianthes lophantha

Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (Espanha), África do Sul, América do Norte (EUA), algumas regiões da Austrália, Nova Zelândia.

 

Razão da introdução

Para fins ornamentais e abrigos.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Zonas áridas e perturbadas.

 

 

Impactes nos ecossistemas

Pode formar povoamentos densos impedindo o desenvolvimento da vegetação nativa.

Produz muita folhada rica em azoto, que promove a alteração do solo.

 

Impactes económicos

Potencialmente, custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

 

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Paraserianthes lophantha incluem:

 

Controlo físico

Arranque manual: metodologia preferencial para plântulas e plantas jovens. Em substratos mais compactados, o arranque deverá ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular.

Corte: metodologia preferencial para plantas adultas. Corte tão rente ao solo quanto possível com recurso a equipamentos manuais e/ou mecânicos. Deve ser realizado antes da maturação das sementes.

 

Controlo biológico

O gorgulho Melanterius servulus Pascoe (Coleoptera: Corculionidae), que se alimenta das sementes, é também usado com sucesso na África do Sul desde 1989 para controlo desta espécie.

Este agente não foi ainda testado em Portugal, de forma a verificar a sua segurança relativamente às espécies nativas, pelo que a sua utilização ainda não constitui uma alternativa no nosso país.

 

Fogo controlado

Pode ser utilizado estrategicamente com o objetivo de estimular a germinação do banco de sementes, e.g., após controlo dos indivíduos adultos (com a gestão adequada da biomassa resultante) ou para eliminação de plantas jovens. Tem como grande vantagem a redução do banco de sementes, quer destruindo uma parte das sementes quer estimulando a germinação das que ficam.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

Agricultural Research Council – Plant Protection Research Institute – Weed Research Division (2014) Management of invasive alien plants: A list of biocontrol agents released against invasive alien plants in South Africa. Disponível: http://www.arc.agric.za/arc-ppri/Documents/WebAgentsreleased.pdf [Consultado 16/10/2014]

Dennill GB, Donnelly D, Stewart K, Impson FAC (1999) Insect agents used for the biological control of Australian Acacia species and Paraserianthes lophanta (Willd.) Nielsen (Fabaceae) in South Africa. African Entomology: Memoir no.1: 45-54.

Marchante E, Freitas H, Marchante H (2008) Guia prático para a identificação de plantas invasoras de Portugal Continental. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, 183pp.

Osorio VEM, de la Torre WW, Jardim R, Silva L (2008) Paraserianthes lophantha (Willd.) I.C. Nielsen In: Silva L, Land EO, Luengo JLR (eds) Flora e fauna terrestre invasora na Macaronésia. Top 100 nos Açores, Madeira e Canárias, Arena, Ponta Delgada, pp. 285-287.

Pheloung, P.C., Williams, P.A., Halloy, S.R., 1999. A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

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