Cachos espiciformes, digitados, 1 ± séssil (direita) e o outro pedunculado (esquerda).

Paspalum paspalodes

pdf

Erva anual, estolhosa de flores discretas em inflorescências semelhantes a pequenas espigas.

Nome científico: Paspalum paspalodes (Michx.) Scribn.

Nomes vulgares: grama-de-joanopólis, graminhão, grama-de-ponta

Família: Poaceae (Gramineae)

Estatuto em Portugal: espécie invasora

Sinonímia: Digitaria disticha Fiori et Paol., Paspalum distichum L., Paspalum distichum auct., non L.

Nível de risco: 34 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2015.

Data de atualização: 26/10/2015

Ajude-nos a mapear esta espécie na nossa plataforma de ciência cidadã.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Como reconhecer

Erva anual, estolhosa, com colmos de até 70 cm.

Folhas: lineares (5-15 x 0,2-1 cm), com limbo ciliado nas margens; bainhas, pelo menos as basais, ciliadas na parte superior; lígulas de 2-3 mm.

Inflorescências: com 2 (raramente 4) cachos espiciformes, verdes, digitados, cada um com 1,5-7 cm, 1 ± séssil e o outro pedunculado; gluma inferior frequentemente reduzida a uma pequena escama, a superior muito maior, herbácea, com a nervura média sobressaída; estigmas negros.

Frutos: cariopses de forma elipsoidal.

Floração: agosto a setembro.

 

Espécies semelhantes

Paspalum vaginatum Swartz (gramão) é semelhante mas as espigas têm os 2 pedúnculos desenvolvidos. Outras espécies de Paspalum (assim como espécies dos géneros Cynodon (com lígula de pelos), Echinochloa (sem lígula) e Digitaria são relativamente semelhantes mas têm, normalmente, mais do que 2 espigas.

 

Características que facilitam a invasão

Reproduz-se vegetativamente, por estolhos que têm grande capacidade de enraizamento.

Também se reproduz por via seminal (embora menos frequentemente), produzindo um elevado número de sementes (1 a 3 gerações de sementes/ano).

Área de distribuição nativa

África, América do Sul e do Norte.

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Minho, Trás-os-Montes, Douro Litoral, Beira Litoral, Beira Alta, Estremadura, Ribatejo, Alto Alentejo, Baixo Alentejo, Algarve), arquipélago dos Açores (todas as ilhas), arquipélago da Madeira (ilha da Madeira).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

Áreas geográficas onde há registo da presença de Paspalum paspalodes

Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (Espanha, Itália, Turquia, Albânia, Bulgária, França, Grécia, Macedónia, Roménia, Reino Unido, Ucrânia), Austrália, Nova Zelândia.

 

Razão da introdução

Para forragem para animais.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Sítios húmidos, como margens de linhas de água, prados cultivados, ou arrozais – tanto em ambientes naturais como com influência humana.

Tolera pastoreio intensivo e fogo, mas precisa de água para recuperar.

Não tolera bem as geadas.

 

 

Impactes nos ecossistemas

Forma tapetes densos afetando a vegetação nativa.

 

Habitats Rede Natura 2000 mais sujeitos a impactes

Paradoxalmente, esta espécie invasora foi considerada bioindicadora de 2 habitats da Rede Natura 2000 onde prolifera:

– Cursos de água mediterrânicos permanentes da Paspalo-Agrostidion com cortinas arbóreas ribeirinhas de salgueiro (Salix) e choupo-branco (Populus alba) (3280);

– Cursos de água mediterrânicos intermitentes da Paspalo-Agrostidion (3290).

 

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Paspalum paspalodes incluem:

 

Controlo físico

Arranque manual (metodologia preferencial): aplica-se a plantas de todas as dimensões. Como é uma espécie frequente em sítios húmidos o arranque costuma ser fácil; no entanto, se em substratos mais compactados, o arranque deve ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular. Deve garantir-se que não ficam raízes/fragmentos de maiores dimensões no solo.

Solarização. Constitui uma alternativa ao arranque manual, sobretudo em áreas extensas invadidas pela espécie. Deve garantir-se que não há espécies nativas afectadas.

 

Controlo químico

Aplicação foliar de herbicida. Pulverizar com herbicida (princípio ativo: glifosato) limitando a aplicação à espécie-alvo.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

 

DAISIE European Invasive Alien Species Gateway (2012) Paspalum paspalodes. Disponível: http://www.europe-aliens.org/speciesFactsheet.do?speciesId=54559 [Consultado 10/11/2012].

Dana ED, Sanz-Elorza M, Vivas S, Sobrino E (2005) Especies vegetales invasoras en Andalucía. Consejería de Medio Ambiente, Junta de Andalucía, Sevilla, 233pp.

Dufour-Dror J-M (2012) Alien invasive plants in Israel. The Middle East Nature Conservation Promotion Association, Ahva, Jerusalem, 213pp.

Gallastegui MH, Prieto JAC (2010) Flora alóctona invasora en Bizkaia. Instituto para la Sostenibilidad de Bizkaia, Vizkaya, 196pp.

Marchante E, Freitas H, Marchante H (2008) Guia prático para a identificação de plantas invasoras de Portugal Continental. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, 183pp.

Pheloung, P.C., Williams, P.A., Halloy, S.R., 1999. A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

Silva L, Corvelo R, Moura M, Land EO, Jardim R (2008) Paspalum distichum L. In: Silva L, Land EO, Luengo JLR (eds) Flora e fauna terrestre invasora na Macaronésia. Top 100 nos Açores, Madeira e Canárias. Arena, Ponta Delgada, pp. 472-474.

USDA, NRCS. (2012) The PLANTS Database. National Plant Data Team, Greensboro, NC 27401-4901 USA.  Disponível: http://plants.usda.gov [Consultado 10/11/2012].

This post is also available in: Inglês