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Reynoutria japonica

Erva perene com caules aéreos de até 3m e folhas grandes. As flores são esbranquiçadas, pequeninas, e estão reunidas em grupos que aparentam frequentemente estar “salientes”, acima da parte vegetativa da planta.

Nome científico: Reynoutria japonica Houtt. = Fallopia japonica (Houtt.) Ronse Decraene.

Nome vulgar: sanguinária-do-Japão

FamíliaPolygonaceae

Estatuto em Portugal: espécie com risco ecológico conhecido (listada no anexo III do Decreto-Lei n° 565/99, de 21 dezembro)

Nível de risco: 17 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português.  Actualizado em 29/10/2015.

Sinonímia: Fallopia  japonica (Houtt.) Ronse Decraene var. japonica, Reynoutria japonica var. compacta (Hook.f.) Moldenke, Reynoutria japonica var. hastata (Nakai ex Ui) Honda, Reynoutria japonica var. spectabilis (Noter) Moldenke, Reynoutria japonica var. terminalis (Honda) Kitag., Reynoutria japonica var. uzenensis Hond,  Pleuropterus cuspidatus (Siebold & Zucc) H. Gross, Polygonum cuspidatum Siebold & Zucc. , Polygonum reynoutria Makino, Polygonum sieboldii Reinw. ex de Vries, Polygonum zuccarinii Small, Tiniaria cuspidata (Houtt.) Hedb., Tiniaria japonica (Houtt.) Hedberg.

 

Data de atualização: 11/10/2017

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Como reconhecer

Erva perene, rizomatosa, com caules aéreos anuais de até 3 m de altura.

Folhas: ovadas, truncadas na base, com 5-14 x 3-13 cm, pecioladas, glandulosas.

Flores: unissexuais, esbranquiçadas, reunidas em fascículos de 2-5 flores, por sua vez reunidos em panículas, glandulosas; 5 tépalas persistentes na frutificação, as 3 externas aladas.

Frutos: secos, trigonais, negros, com 4 x 2 mm.

Floração: julho a setembro.

 

Espécies semelhantes

Por ter folhas maiores, flores unissexuais e não ser trepadeira distingue-se de outras Fallopia (ou Bylderdikia) presentes em Portugal.

Características que facilitam a invasão

Possui órgãos subterrâneos acumuladores de reservas (rizomas), cuja riqueza em amido atinge os 50% de peso seco e que se enterram no solo até aos 3 metros de profundidade. A reprodução dá-se tanto por via sexuada (sementes) como por propagação vegetativa, sendo uma das principais formas de dispersão associada ao transporte de solos contaminados com rizomas. Regenera rapidamente após o corte ou outro tipo de agressão (insectos, herbívoros, acção humana), regenerando as folhas e os caules a partir das reservas acumuladas nos rizomas. Apresenta uma grande rapidez de crescimento dos órgãos vegetativos, atingindo grandes dimensões e podendo “asfixiar” a flora competidora devido à folhagem densa que produz um forte sombreamento. Tem uma boa adaptação dos períodos de floração e frutificação ao clima temperado, aproveitando a maior parte do Verão para acumular substâncias de reserva.

Possui substâncias alelopáticas que produzem necrose nas raízes das plantas próximas.

Área de distribuição nativa

Ásia (Japão, Coreia e China).

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Minho,  Douro Litoral e Beira Litoral).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

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Outros locais onde a espécie é invasora

Europa Central e em algumas regiões do Sul, América do Norte e Nova Zelândia.

Razão da introdução

Foi introduzida na Europa de forma intencional , primeiro para cultivo forrageiro e melífero e depois como planta ornamental.

Ambientes preferenciais de invasão

Aparece a proliferar em margens de linhas de água, áreas degradadas e naturais de zonas mais frias do Norte do país.

Impactes nos ecossistemas

Compete de forma vantajosa com a vegetação nativa, impedindo a sua regeneração; prejudica a fauna indígena que não está preparada para utilizar esta planta e pode provocar contaminação orgânica nos solos pela má decomposição das suas folhas.

 

Impactes económicos

Diminui a visibilidade nas estradas, danifica canais dos rios, reduz a capacidade de desaguar dos rios e canais ao invadir os bancos, dificulta o tráfico ferroviário, danifica construções e obras públicas, diminui o valor dos pastos, produz danos na paisagem devido aos efeitos de uniformidade que surgem quando invade por completo uma zona.

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Reynoutria japonica incluem:

Controlo físico

Arranque manual: Nos casos em que a invasão já está consumada, os métodos de controlo activo possíveis começam pelo arranque de rizomas. No entanto, para este método ser eficaz têm de ser removidos todos os fragmentos, o que pode não ser fácil. Os rizomas podem ser encontrados no solo até uma profundidade de 3 m, tornando-se a sua remoção muito trabalhosa, demorada e dispendiosa e exigindo mão de obra com material adequado (crivos , etc.). Todos os fragmentos extraídos, uma vez retirados, devem ser completamente destruídos. Este método só é válido para os casos de invasões pequenas, muito localizadas. Estas acções podem não ser muito eficazes, porque a planta possui mecanismos de regeneração e os fragmentos resultantes podem converter-se em propágulos que contribuem para a extensão da invasão. Para que exista alguma eficácia, deve realizar-se a cada 15 dias ao longo do período vegetativo, durante pelo menos 2 anos.

Em pequenas áreas invadidas, já foram utilizados geotêxteis com sucesso para evitar a regeneração após o corte. Este método consiste em cobrir o solo com uma tela de geotêxtil (existente no mercado para proteger taludes contra a erosão, ou evitar o crescimento de ervas daninhas em jardins) e uma camada de 40cm de solo (livre de espécies invasoras). Uma vez que os rizomas se podem espalhar subterraneamente, recomenda-se cobrir até um raio de 3m de distância do limite da área onde foram detectadas as plantas. Assim elimina-se toda a vegetação existente, incluindo os indivíduos de Reynoutria japonica. O custo associado é muito elevado e exige que se coloquem espécies autóctones imediatamente após a intervenção.

Outro método é o pastoreio intensivo com animais domésticos, pelo menos por 5 anos. Este método é dificilmente aplicável em zonas fluviais, onde o movimento dos animais pode danificar os canais e ao longo de vias de comunicação.

Controlo químico

Esta espécie é resistente a quase todos os herbicidas. O único utilizado com êxito foi o glifosato, embora devido à sua toxicidade para os invertebrados aquáticos deva utilizar-se com muita precaução nos ambientes fluviais, estando somente justificado no tratamento de casos de extrema gravidade e sempre produtos comerciais homologados para uso nestas situações. Como exemplo prático de tratamento com glifosato propõe-se o programa seguinte:

– 1ª fase: pulverização das folhas aos 15 dias do aparecimento dos caules com uma dose de Round-up de 6 l/Ha durante as primeiras horas da manhã, ou últimas da tarde;

– 2ª fase: repetição da pulverização dois meses após a primeira aplicação para destruir os rebentos das gemas que não foram afectadas, ou o foram de forma insuficiente, acompanhada de uma escavação previa do solo até 50 cm de profundidade;

– 3ª fase: após dois meses da segunda aplicação de herbicida realizar uma nova escavação mecânica sobre os restos para melhorar a acção do glifosato sobre os rizomas.

 

Controlo biológico

Depois de vários agentes estudados, foi libertado em Inglaterra (em 2010) um inseto (a psila Aphalara itadori Shinji), originário do Japão, num programa de luta biológica contra Reynoutria japonica. No entanto, até à data, e ainda que o inseto tenha sobrevivido, o seu estabelecimento e o aumento das populações está muito aquém do esperado não resultando no controlo substancial da espécie-alvo.
Outra hipótese é utilizar certos compostos fitotóxicos de origem fúngica, tendo a Universidade de Montana isolado 25 fitotoxinas diferentes susceptíveis de ser utilizadas como fitocidas naturais contra esta planta.

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta de algumas destas metodologias.

Flora Digital de Portugal (2014) Reynoutria japonica. Disponível: http://jb.utad.pt/especie/reynoutria_japonica [Consultado 15/09/2015].

Marchante H, Morais M, Freitas H, Marchante E (2014) Guia Prático para a Identificação de Plantas Invasoras em Portugal. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, pp. 130.

Pheloung PC, Williams PA, Halloy SR (1999) A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

Sanz-Elorza M, Sánchez EDD, Vesperina ES (2004) Atlas de las plantas alóctonas invasoras en España. Dirección General para la Biodiversidade, Madrid, 254pp.

DAISIE European Invasive Alien Species Gateway (2012) . Fallopia japonica. Disponí­vel: http://www.europe-aliens.org/pdf/Fallopia_japonica.pdf [Consultado 11/09/2017].