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Ricinus communis

Arbusto ou pequena árvore até 5 m, com caules frequentemente avermelhados, de folhas grandes com aspeto de estrela e frutos espinhosos, avermelhados na maturação.

Nome científicoRicinus communis L.

Nome vulgar: rícino, carrapateiro, bafureira, catapúcia, erva-dos-carrapatos, figueira-do- inferno, mamona, mamoneiro, mamoeiro, mamoeiro, catapúcua-do-inferno, mamoreiro

FamíliaEuphorbiaceae

Estatuto em Portugal: espécie invasora

Nível de risco: 22 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 08/10/2015.

SinonímiaRicinus africanus Willd., Ricinus angulatus Thunb., Ricinus armatus Haw., Ricinus badius Rchb., Ricinus chinensis Thunb., Ricinus digitatus Noronha , Ricinus europaeus T.Nees, Ricinus glaucus Hoffmanns., Ricinus hybridus Besser, Ricinus inermis Mill., Ricinus japonicus Thunb., Ricinus laevis DC., Ricinus leucocarpus Bertol., Ricinus lividus Jacq., Ricinus macrophyllus Bertol., Ricinus medicus Forssk., Ricinus megalospermus Delile, Ricinus minor Mill., Ricinus nanus Balbis, Ricinus peltatus Noronha, Ricinus purpurascens Bertol., Ricinus rugosus Mill., Ricinus sanguineus Groenland, Ricinus scaber Bertol. ex Moris, Ricinus speciosus Burm.f., Ricinus spectabilis Blume, Ricinus tunisensis Desf., Ricinus undulatus Besser, Ricinus urens Mill., Ricinus viridis Willd., Ricinus vulgaris Mill.

Data de atualização: 3/11/2017

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Como reconhecer

Arbusto ou pequena árvore até 5 m, de caules ocos, avermelhados, e glabros.

Folhas: alternas, de 10-35 cm Ø, palmatipartidas com 5-9 lóbulos, margem irregularmente serrada, de pecíolo longo, avermelhado.

Flores: Flores unissexuais reunidas em grandes inflorescências na extremidade dos caules. As flores femininas são esverdeadas ou avermelhadas, e localizam-se mais próximas da extremidade, enquanto as flores masculinas amarelo-esverdeadas com estames de cor creme, localizam-se na base da inflorescência.

Frutos: cápsulas ovóides, com ± 2 cm comprimento, avermelhadas ou esverdeadas, cobertas de  acúleos, com 3 cavidades contendo 1 a 3 sementes brilhantes, de cor castanha, com estrias brancas e uma pequena carúncula, assemelhando-se a pequenas carraças.

Floração: pode florir ao longo de todo o ano apresentando máxima floração de maio a julho.

 

Espécies semelhantes

Características que facilitam a invasão

Pode florir e produzir sementes ao longo de todo o ano em locais sem geada. Reproduz-se por via seminal, produzindo um elevado número de sementes (cada planta pode produzir até 150000 sementes) que são facilmente dispersas pela água e animais (roedores, formigas, aves) e pelas actividades humanas. As cápsulas depois de secas libertam as sementes que podem ser projetadas para grandes distâncias criando novos focos de invasão. As sementes podem permanecer viáveis por 2 ou 3 anos, havendo alguns estudos que indicam que em determinadas situações não chega a formar banco de sementes. As suas sementes são das primeiras a germinar após um incêndio.

Área de distribuição nativa

África tropical.

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Trás-os-Montes, Douro Litoral, Estremadura, Alto Alentejo, Baixo Alentejo e Algarve), Arquipélago dos Açores (todas as ilhas), arquipélago da Madeira (ilhas da Madeira, Porto Santo e ilhas Desertas).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

Ricinus communis

Áreas geográficas onde há registo da presença de Ricinus communis

 

Outros locais onde a espécie é invasora

Austrália, Nova Zelândia, América do Norte (EUA, México), América do Sul (Chile, ilhas Galápagos), Sul da Europa (França), África (Tanzânia, Namíbia, Botswana), Ásia (China).

Razão da introdução

Para fins alimentares, medicinais e industriais (obtenção de óleo de rícino). É provável que também tenha sido usada como ornamental.

Ambientes preferenciais de invasão

Espécie muito frequente em zonas perturbadas, ruderais, como margens de estradas e entulhos. Também invade margens de cursos de água e áreas naturais e semi-naturais (ex: dunas costeiras).

Impactes nos ecossistemas

O crescimento rápido leva à formação de áreas densas impenetráveis que podem impedir o desenvolvimento da vegetação nativa.

Impactes económicos

Potencialmente, custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

Outros Impactes

As sementes são altamente tóxicas, especialmente para humanos e cavalos. O contacto com as sementes pode provocar reações alérgicas severas.

 

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Ricinus communis incluem:

Controlo físico

Arranque manual: é um dos métodos preferenciais. Em substratos mais compactados, o arranque deve ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular. Deve garantir-se que não ficam raízes de maiores dimensões no solo.

Controlo físico + químico

Corte combinado com aplicação de herbicida. Corte dos caules tão rente ao solo quanto possível e posterior aplicação de herbicda (princípio ativo: glifosato ou triclopir) na zona de corte. Deve ser efectuado antes da maturação dos frutos e apenas em situações em que a utilização de herbicida não possa ser evitada.

Controlo químico

Aplicação foliar de herbicida. Pulverizar com herbicida (princípio ativo: glifosato) limitando a aplicação à espécie-alvo. Deve ser realizada na altura de maior crescimento da planta e apenas em situações em que a utilização de herbicida não possa ser evitada.

Aplicação de herbicida sobre a casca na base da planta (princípio ativo: tryclopir). Aplica-se de forma muito localizada a plantas jovens com diâmetro superior a 5 cm.

Fogo controlado

Pode utilizar-se fogo controlado nas áreas onde formam grandes tapetes. No entanto, dá melhores resultados em combinação com outros métodos (por exemplo, para controlar as plântulas formadas) já que é referenciado como sendo um bom colonizador de áreas recém-queimadas.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

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