Salpihroa

Salpichroa origanifolia


Erva com menos de 2m, por vezes trepadeira, de folhas carnudas frequentemente ovadas, com pequenas flores brancas ou cremes em forma de odre.

Nome científico: Salpichroa origanifolia (Lam.) Baill.

Nome vulgar: orelha-de-ovelha

Família: Solanaceae

Estatuto em Portugal: espécie invasora nos Açores e na Madeira; considerada naturalizada no Continente surgindo esporadicamente com comportamento invasor.

Nível de risco: 17 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 06/10/2015.

Sinonímia: Atropa origanifolia (Lam.) Desf., Atropa rhomboidea Gillies & Hook., Jaborosa montevidensis Casar., Perizoma rhomboidea (Gillies & Hook.) Small, Physalis origanifolia Lam., Salpichroa rhomboidea (Gillies & Hook.) Miers,  Salpichroa rhomboidea var. mollis Dammer.

Data de atualização: 28/11/2016 | Perfil elaborado com a colaboração do Grupo de Biodiversidade da Universidade dos Açores.

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Como reconhecer

Erva perene, decumbente ou escandente, com menos de 2 m, com pelos curtos, esparsos ou densos.

Folhas: com até 50 x 37 mm, um pouco carnudas, inteiras, ovadas, suborbiculares, elípticas ou rombóides, obtusas, em geral duas por nó, desiguais; pecíolo com 5–30 mm.

Flores: solitárias nas axilas das folhas, pêndulas; pedicelos com 7–10 mm. Cálice campanulado (2–4 mm). Corola urceolada, branca ou creme (6–8 mm) com lobos triangulares.

Frutos: baga obtusa, cónica (10–15 x 8-12 mm), branca a amarelo pálido, translúcida.

Floração: abril a dezembro.

 

Espécies semelhantes

Quando tem apenas folhas, pode confundir-se com os espinafres (Tetragonia tetragonioides (Pallas) Kuntze, orégãos (Origanum spp.) ou erva-moira (Solanum nigrum L.). No entanto, assim que dá flor a forma da corola é muito característica permitindo a distinção fácil.

solanumVSsalpichroa

As folhas de Solanum nigrum (à esquerda) podem ser semelhantes mas distingue-se bem de Salpichroa origanifolia (direita) porque as flores têm formas muito diferentes.

Características que facilitam a invasão

A planta atinge a sua maturação sexual em 1 ano e reproduz-se por via seminal com centenas de sementes/planta/ano e por via vegetativa por fragmentos da planta.

Área de distribuição nativa

América do Sul (SE Bolívia, Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai).

Distribuição em Portugal

Portugal Continental (Minho, Beira Litoral, Beira Baixa, Ribatejo, Estremadura, Baixo Alentejo), Arquipélagos dos Açores (ilhas de Faial, Graciosa, São Jorge, Terceira, São Miguel e Santa Maria) e da Madeira (ilha da Madeira).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

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Áreas geográficas onde há registo da presença de Salpichroa origanifolia (Lam.) Baill.

Outros locais onde a espécie é invasora

América do Norte, Europa, Austrália, Nova Zelândia.

Razão da introdução

Introdução intencional para fins ornamentais.

Ambientes preferenciais de invasão

Dunas costeiras,  costas rochosas, arribas,  escoadas lávicas,  prados de Festuca,  locais de entulho,  terreno cultivado e vegetação de origem antrópica,  sebes.

Impactes nos ecossistemas

A espécie forma manchas densas que rompem a estrutura, a abundância e sucessão dos ecossistemas que invade. Impede o desenvolvimento da vegetação nativa e reduz a diversidade de espécies por competição e recrutamento.

Impactes económicos

Potencialmente, custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

Habitats Rede Natura 2000 mais sujeitos a impactes

– Falésias com flora endémica das costas macaronésicas (1250);

– Dunas marítimas de costas atlânticas (2130).

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Salpichroa origanifolia incluem:

Controlo físico

É possível escavar e remover a maior parte das raízes mas o trabalho é bastante intensivo.

Controlo químico

Alguns trabalhos referem que os herbicidas para controlar esta planta incluem aqueles cujos princípios activos são o 2,4 D, MCPA ou o picloram.

Utilizar apenas os herbicidas homologados para a espécie e de acordo com a lei em vigor. Seguir as instruções de aplicação do rótulo e do produtor.

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

DAISIE European Invasive Alien Species Gateway (2012) Salpichroa origanifolia. Disponível: http://www.europe-aliens.org/speciesFactsheet.do?speciesId=7219 [Consultado 08/10/2015].

Flora Digital de Portugal (2014) Salpichroa origanifolia (Lam.) Baill. Disponível: http://jb.utad.pt/especie/salpichroa_origanifolia [Consultado 08/10/2015].

Marchante H, Morais M, Freitas H, Marchante E (2014) Guia Prático para a Identificação de Plantas Invasoras em Portugal. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, pp. 131.

Pheloung PC, Williams PA, Halloy SR (1999) A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

Schäfer H (2005) Flora of the Azores. A Field Guide. Second Enlarged edition. Margraf Publishers, Weikersheim.

Silva L, Corvelo R, Moura M, Coello RM, Jardim R (2008) Salpichroa origanifolia (Lam.) Thell. (L fil.) C. Presl. In: Silva L,  Ojeda Land E, Rodríguez Luengo JL (eds.) Flora e Fauna Invasora da Macaronésia. TOP 100 nos Açores, Madeira e Canárias, pp. 233-235. ARENA, Ponta Delgada.

Weber E (2003) Invasive plant species of the world: a reference guide to environmental weeds. Reino Unido: CABI, 2003. ISBN 0851996957. 381pp.