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Salvinia molesta

Feto aquático flutuante com 3 folhas em cada nó (2 flutuantes, em forma de ovo, verde-claras, cobertas por pêlos e uma submersa, de cor castanha que se assemelha a uma raíz).

Nome científicoSalvinia molesta D.S.Mitch.

Nome vulgar: salvina-molesta

FamíliaSalviniaceae

Estatuto em Portugal: espécie casual, mas começa a dispersar – veja o nosso alerta!

Nível de risco: 25 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2015.

Sinonímia: Salvinia adnata Desv.

Data de atualização: 24/07/2017

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Como reconhecer

Feto aquático flutuante com 3 folhas em cada nó (2 flutuantes, em forma de ovo, verde-claras, cobertas por pêlos e uma submersa, de cor castanha que se assemelha a uma raiz).

Folhas: 3 em cada nó: 2 flutuantes, ovadas , verde-claras, com 2,5-6 cm, cobertas por pêlos; 1 submersa, castanha, parecendo uma raiz. Plantas isoladas têm folhas menores, ovais, à tona da água; quando integram mantos densos tornam-se robustas, as folhas aumentam e encurvam até ficarem sobrepostas, com uma prega central nítida. A página superior das folhas está coberta por papilas cilíndricas, cada uma com quatro pelos na ponta, que estão unidos na extremidade, formando uma estrutura que lembra uma pequena gaiola ou uma batedeira de ovos. Esta estrutura aprisiona pequenas bolhas de ar, ajudando a planta a flutuar e repelindo a água da face superior das folhas, o que as mantém na posição correcta.

Esporocarpos: a planta adulta produz esporocarpos contendo esporos inférteis.

Espécies semelhantes

Uma espécie semelhante é Salvinia natans (L.) All., mas não tem os pêlos característicos de S. molesta (em forma de pequena gaiola ou uma batedeira de ovos) pelo que se distingue com alguma facilidade.

Características que facilitam a invasão

Cresce rapidamente em águas ricas em nutrientes, podendo duplicar a área em apenas uma semana. Forma densos tapetes de folhas firmemente juntas que podem cobrir completamente a superfície da água e atingir 1 m de espessura. Apesar de não ser capaz de se reproduzir de forma sexuada, dispersa-se muito facilmente por crescimento vegetativo e fragmentação. Pequenos fragmentos podem ser dispersados naturalmente por aves e mamíferos, podendo também seu transportados acidentalmente agarrados a barcos, redes de pesca ou outros artefactos. Consegue sobreviver nas margens e suporta alguma seca, tendo já sido observada a proliferar em ambientes terrestres com constante humidade, junto às Cataratas Victória em África do Sul.

Área de distribuição nativa

América do Sul.

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Baixo Alentejo).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

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Outros locais onde a espécie é invasora

África do Sul e África tropical, Ásia tropical, Austrália e Nova Zelândia, Melanésia e Polinésia.

Razão da introdução

Esta espécie foi introduzida para uso ornamental e aquariofilia. Várias espécies de Salvinia estão à venda em viveiros, mas nenhuma deveria ser utilizada tendo em conta a grande agressividade do género.

Ambientes preferenciais de invasão

Zonas húmidas de água doce, lagoas e ribeiros.

Embora legalmente não seja considerada invasora em Portugal, revela comportamento invasor em algumas localizações.

Impactes nos ecossistemas

Em águas paradas ou com pouca corrente, Salvinia molesta pode multiplicar-se rapidamente formando densos tapetes com até 1m de espessura. Pode cobrir totalmente a superfície matando toda a vegetação submersa e reduzindo o oxigénio dissolvido na água, provocando a morte da fauna aquática também.  As plantas mortas libertam grandes quantidades de nutrientes na água, aumentando assim a eutrofização do meio. Reduz o  fluxo de água, podendo originar cheias. Densos tapetes de Salvinia molesta podem bloquear  o acesso pelo homem e pelos animais (domésticos e selvagens) e impedir o uso de barcos, redes de pesca e impossibilitar até a produção de energia hidroeléctrica, sistemas de rega e de controlo de cheias. As alterações provocadas nos ecossistemas pela invasão de Salvinia molesta podem também favorecer a reprodução de mosquitos vectores de doenças.

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Salvinia molesta incluem:

Controlo físico

Grandes áreas invadidas podem ser colhidas mecanicamente mas isto pode provocar fragmentação e dispersão.

Controlo biológico

Em várias áreas onde esta espécie é invadida, foi testado com sucesso o uso do insecto Cyrtobagous salviniae, que se alimenta apenas de Salvinia, não afectando as espécies nativas. As larvas deste pequeno gorgulho escavam túneis nos caules da planta, reduzindo a sua capacidade de flutuar e acabando por afundá-la. Em Portugal o controlo biológico de S. molesta ainda não é uma opção.

Controlo químico

Os herbicidas utilizados são o Diquato formulado para águas correntes, hexazinona, chlorsulfuron ou fluridona.

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

Cousens RD, Hussey BMJ, Keighery J, Lloyd SG (2007) Western weeds. Australia, pp. 2.

DiTomaso J, Healy E (2003) Aquatic and Riparian Weeds of the West. California.  pp. 57.

Marchante H, Morais M, Freitas H, Marchante E (2014) Guia Prático para a Identificação de Plantas Invasoras em Portugal. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, pp. 176.

Pheloung PC, Williams PA, Halloy SR (1999) A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

Pieterse A, Kettunen M, Diouf S, Ndao I, Sarr K et. al. (2003) Effective biological control of Salvinia molesta in the Senegal River by means of the weevil Cyrtobagous salviniae. Ambio. 32 (7): 458-62

Sullivan P, Postle L (2012) Salvinia Biological Control Field Guide. State of New South Wales through Department of Trade and Investment,Regional Infrastructure and Services. ISBN 978 1 74256 252 0 Disponível: http://www.aabr.org.au/images/stories/resources/ManagementGuides/WeedGuides/Salvinia-biological-control-field-guide.pdf [Consultado 27/06/2017].

The Plant List. Salvinia molesta. D.S.Mitch. Disponível: http://www.theplantlist.org/tpl1.1/record/tro-26604303 [Consultado 15/09/2015].

Weber E (2003) Invasive plant species of the world: a reference guide to environmental weeds. Reino Unido: CABI, 2003. ISBN 0851996957. 384pp.