Sapal_S_densiflora (51)

Spartina densiflora

Erva graminóide, rizomatosa, perene, presente nas lamas da maré baixa.

Nome científico: Spartina densiflora Brongon.

Nome vulgar: spartina

Família: Poaceae (Gramineae)

Estatuto em Portugal: espécie invasora (listada no anexo I do Decreto-Lei n° 565/99, de 21 dezembro)

Nível de risco: 14 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), segundo o qual valores acima de 6 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2015.

Sinonímia: Chauvinia chilensis Steud., Spartina densiflora Brongn. var. typica St.-Yves subv. brongniartii St.-Yves, Spartina densiflora Brongn. var. typica St.-Yves, nom inval., Spartina densiflora Brongn. var. typical St.-Yves subv. pauper St.-Yves, Spartina juncea Willd. var. laxiflora St.Y.ves, Spartina juncea Willd. var. montevidensis (Arechav.) St.-Yves, Spartina montevidensis Arechav., Spartina patagonica Speg.

Data de atualização: 28/10/2015

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Como reconhecer

Erva rizomatosa formando um tufo denso. Colmos de até 150 cm, glabros, robustos.

Folhas: enroladas, com 3-8 mm de largura quando planas.

Flores: espiguetas com 1 (raramente 2) flor, com 7-10 mm, esverdeadas, por sua vez reunidas em espigas geralmente sobrepostas e muito aplicadas ao eixo, lineares, com 3-6 cm, agrupadas (2-15) em inflorescências eretas com 10-30 cm; glumas glabras ou puberulentas, lanceoladas, com 1 nervura escábrida, a inferior com 1,5-4 mm, a superior com 7-14 mm.

Frutos: cariopses lineares.

Floração: junho a dezembro.

 

Espécies semelhantes

Spartina patens (Aiton) Muhl., frequente no mesmo tipo de habitats, tem alguma semelhança, mas forma um tufo pouco denso, com rizoma rastejante; as folhas são mais largas (0,8-1,5 mm); as espiguetas são menores que 7 mm, verde-amareladas ou violetas, e reúnem-se em espigas lineares, um tanto afastadas, por sua vez reunidas (2 a 6) em inflorescências com 10-16 cm.

 

Características que facilitam a invasão

Reproduz-se vegetativamente através de fragmentos dos caules que enraízam facilmente.

Também se reproduz por via seminal; produz muitas sementes (cerca de 2000 sementes/planta) as quais são dispersas pela água o que favorece a expansão da área invadida.

Área de distribuição nativa

América do sul (Chile).

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (Algarve). Há algumas referências para a sua distribuição mais a norte.

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

Spartina densiflora

Áreas geográficas onde há registo da presença de Spartina densiflora

 

Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (Espanha), oeste dos EUA (Califórnia), África (Marrocos).

 

Razão da introdução

Provavelmente acidental.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Apresenta grande valência ecológica, adaptando-se a diferentes factores ambientais (salinidade, inundação) e habitats.

Meio marítimo e lamas das marés baixas. Também surge em estuários.

Desenvolve-se em solos mal drenados ou locais perturbados onde se alteraram as condições de drenagem ou os padrões de acumulação de sedimentos.

 

Impactes nos ecossistemas

Cresce rapidamente, formando populações muito densas e impenetráveis, que impedem a desenvolvimento da vegetação nativa.

 

Impactes económicos

Custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

 

Habitats Rede Natura 2000 mais sujeitos a impactes

– Estuários (1130);
– Prados de Spartina (Spartinion maritimae) (1320);
– Prados salgados atlânticos (Glauco-Puccinellietalia maritimae) (1330);
– Prados salgados mediterrânicos (Juncetalia maritimae) (1410);
– Matos halófitos mediterrânicos e termoatlânticos (Sarcocornetea fruticosi) (1420).

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Spartina densiflora incluem:

 

Controlo físico

Arranque manual/mecânico: metodologia preferencial para áreas invadidas de pequena dimensão. Em substratos mais compactados, o arranque deve ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular. Deve garantir-se que não ficam rizomas ou fragmentos de maiores dimensões no solo.

Corte: metodologia preferencial para áreas invadidas de maiores dimensões. Corte da parte área com recurso a equipamento mecânico (por ex. motoroçadora).

 

Controlo químico

Aplicação foliar de herbicida. Pulverizar com herbicida (princípio ativo: glifosato em formulações adaptadas a ambientes aquáticos) limitando a aplicação à espécie-alvo.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta desta metodologia.

 

 

Bortolus A (2006) The austral cordgrass Spartina densiflora Brong.: Its taxonomy, biogeography and natural history. Journal of Biogeography 33: 158-168.

Capdevila-Argüelles L, Zilletti B, Álvarez VAS (2011) Cambio climático y especies exóticas invasoras en España. Diagnóstico preliminar y bases de conocimiento sobre impacto y vulnerabilidad. Oficina Española de Cambio Climático, Ministerio de Medio Ambiente y Medio Rural y Marino, Madrid, 146 pp.

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Marchante E, Freitas H, Marchante H (2008) Guia prático para a identificação de plantas invasoras de Portugal Continental. Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, 183pp.

Pheloung, P.C., Williams, P.A., Halloy, S.R., 1999. A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

Pickart A (2005) Control of invasive Spartina densiflora in a high-elevation salt marsh, Mad River Slough, Humboldt Bay National Wildlife Refuge. U. S. Fish and Wildlife Service, Arcata, California, 15 pp.

Zedler JB, Kercher S (2004) Causes and consequences of invasive plants in wetlands: Opportunities, opportunists, and outcomes. Critical Reviews in Plant Sciences 23(5): 431-452.

 

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