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A invasão de jacinto-de-água na Pateira de Fermentelos

A Pateira de Fermentelos, localizada no concelho de Águeda, é uma das maiores lagoas naturais da Península Ibérica, inserida na zona de protecção especial da Ria de Aveiro, albergando várias espécies de aves.

Ao longo dos anos, a pateira tem sofrido com as invasões por jacinto-de-água e pinheirinha, com graves consequências para a flora e fauna locais. Estas plantas invasoras aquáticas, pelas suas características , ocuparam grande parte da superfície da lagoa, impedindo práticas de lazer e prejudicando explorações agrícolas, dependentes das águas para a rega.

A Câmara Municipal de Águeda é responsável pelas acções de controlo e prevenção destas invasoras, preponderantes na manutenção e protecção deste espaço. Célia Laranjeira, da Gestão Ambiental do município,  diz que o jacinto-de-água, detectado nos anos 90, chegou a ocupar cerca de 50% da lagoa:

“Isto causava muitos problemas ambientais e sociais. As massas de jacinto-de-água, por serem contínuas na superfície da lagoa, impedem a entrada da luz solar, a oxigenação da água, competem com as espécies autóctones.  Em termos culturais e sociais, impedem a navegabilidade e a pesca. Em termos agrícolas, entopem os canais de irrigação, afectando as bombas de extracção de água.”

O "Pato Bravo"

O “Pato Bravo”

Desde 2006 que é utilizada uma ceifeira aquática, baptizada pelas crianças do concelho como “Pato Bravo”, para remover o jacinto-de-água. O investimento parece ter compensado.

“A ceifeira precisa apenas de 35 centímetros de água para operar. Tem um tapete rolante que recolhe as massas de jacinto-de-água que depois são armazenadas num depósito.”

Há uma actividade contínua de monitorização, controlo e remoção de jacinto-de-água, que se repete várias vezes ao longo do ano. Desde o início destas acções de remoção mecânica em 2006, já foram retirados 16 mil metros cúbicos de jacinto-de-água. As despesas rondam os 200 mil euros.

“Nunca tivemos a noção de que iríamos erradicar completamente o jacinto-de-água  da pateira. Neste momento podemos dizer que temos a infestação controlada.”

A máquina foi colocada à disposição de outros municípios para  poderem controlar este tipo de invasões noutros locais do país.

A CM de Águeda desenvolve acções de educação ambiental, junto dos visitantes e utentes da lagoa, e dos alunos das escolas.  Para além de falarem das acções de combate a invasoras, fazem visitas guiadas para vários públicos, e actividades de identificação de aves.

O município publicou também um desdobrável, que enviou para várias entidades e outros municípios nacionais, partilhando a sua experiência e conselhos sobre como reduzir os riscos de invasão do jacinto-de-água.

Para Célia Laranjeira, é fundamental uma detecção atempada, vigiar os recursos hídricos, sejam lagos, lagoas, ribeiros ou rios, e uma intervenção imediata. É necessário fazer controlos de continuidade e manter a vigilância.

“Pode evitar que haja um crescimento desmesurado destas espécies, que rapidamente se adaptam ao meio aquático, que rapidamente proliferam e assumem proporções que muitas vezes as próprias entidades, técnicos, os próprios cidadãos não imaginam que possam assumir”.

Para mais informações, visitem o site da Pateira de Fermentelos.

Info extra:

Qualificação: A Pateira foi considerada Zona Húmida de Importância  Internacional

Outras espécies invasoras: Acácia e lagostim;

Práticas comuns na Pateira: Recreio náutico, pesca;

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