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O contributo de um informático para uma lista de espécies invasoras e de risco em Portugal: 1ª versão

por Júlio Reis
A Rocha International 

As invasões biológicas são uma das maiores causas de perda de biodiversidade e extinção; por exemplo, das 134 extinções de aves registadas desde 1500, 71 (ou 53%) estão relacionadas com espécies exóticas invasoras (Carboneras, 2015). A Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD) fixou como Meta 9 das Metas para a Biodiversidade de Aichi: «Até 2020, as espécies exóticas invasoras e vias de introdução estão identificadas e prioritizadas, as espécies prioritárias estão controladas ou erradicadas e estão em vigor medidas para gerir as vias para prevenir a sua introdução e instalação».
No nosso país esta problemática encontra-se pouco estudada e pouco divulgada. A legislação de nível nacional data de 1999 (Decreto- Lei nº 565/99, atualmente em revisão), e designa apenas 32 espécies como invasoras, indicando outras 45 que comportam risco ecológico conhecido. No entanto, como signatário da CBD, Portugal subscreve as metas de Aichi e têm sido feitos alguns esforços no sentido de estudar, divulgar, controlar e legislar sobre espécies invasoras.

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Algumas espécies incluídas na lista compilada pelo Júlio Reis (da esquerda para direita, começando pelo topo): Eschscholzia californica, Trachemys scripta, Rhynchophorus ferrugineus e Pennisetum setaceum.

O autor criou uma “Lista de alguns taxa invasores e de risco para Portugal: 1.ª versão (2016)” – naturalmente incompleta – para colmatar a falta de uma lista única que congregasse todas as espécies invasoras ou de risco invasor em Portugal, dispersas pela literatura científica. capaEste documento agrega presentemente um total de 431 taxa, sendo os grupos mais representados as plantas, os insetos, as aves, os peixes e os fungos.

A lista inclui pragas agrícolas, isto é, espécies que incidem particularmente sobre culturas agrícolas, porque:
a) as pragas agrícolas por vezes afetam diretamente os ecossistemas;
b) provocam pressão humana sobre os habitats naturais, afetando maior área à atividade agrícola na tentativa de manter o rendimento das culturas; e
c) as medidas de controlo são por vezes semelhantes.

Cada ficha de taxon contém informação sobre o nome científico, o nome comum, a classificação
taxonómica, a distribuição nativa, o estatuto de estabelecimento em Portugal, a distribuição em Portugal e as referências bibliográficas consultadas.

Se pretender ajudar à compilação desta lista, pode enviar os seus comentários ou acrescentos para alcobaca@arocha.org

 

Júlio profile picture (square small) Júlio Reis é informático na organização de ambiente A Rocha International desde 2000. Amador e amante da natureza, tem especial interesse em invasões biológicas, recuperação de habitats e na ligação entre comunidades naturais e comunidades humanas.

 

 

Referências no texto:

Carboneras C (2015) Will the EU’s new invasive species regulation miss the chance to save billions of euros? Birdlife International. Consultado a 8 de maio de 2016. 

Convention on Biological Diversity (n.d.) Quick guide to the Aichi Biodiversity Targets: 9 – Invasive alien species prevented and controlled. Consultado a 27 de maio de 2016.

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