O que são

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Vejam de onde vieram algumas espécies invasoras em Portugal, e onde algumas espécies nacionais são invasoras (clique na imagem para visitar mapa interactivo)

Plantas invasoras são plantas não nativas que causam impactes ambientais e económicos negativos.

Muitas das plantas que nos rodeiam foram transportadas do seu habitat natural para outros locais pelo que são denominadas plantas exóticas (do grego exotikós, “de fora”). Algumas destas espécies coexistem com as espécies nativas de forma equilibrada, mas outras há que se desenvolvem muito rapidamente e escapam ao controlo do Homem tornando-se nocivas – estas são designadas espécies invasoras. Além de superarem as barreiras geográficas, estas espécies conseguem superar barreiras bióticas e abióticas, mantendo populações estáveis.

Uma planta exótica passa a ser considerada invasora quando produz populações reprodutoras numerosas e separadas da inicial, tanto no espaço (mais de 100 m) como no tempo (menos de 50 anos para espécies dispersas por semente; mais 6 m, cada três anos, para espécies com reprodução vegetativa), independentemente do grau de perturbação do meio e sem a intervenção direta do Homem. Frequentemente a proliferação destas espécies promove alterações ambientais e/ou prejuízos económicos.

Apesar de falarmos aqui de plantas invasoras, há organismos invasores em todos os grupos de seres vivos: desde o fungo da ferrugem à cólera, passando pelo lagostim‑vermelho (Procambarus clarkii), a formiga‑argentina (Iridomyrmex humilis), numerosos insetos da madeira, o nemátode‑do‑pinheiro (Bursaphelenchus xylophilus) ou o escaravelho-vermelho-das-palmeiras (Rhynchophorus ferrugineus) e muitos outros.

As espécies invasoras são comparadas a uma forma de poluição que, ao contrário de outras, não cessa quando se elimina a fonte de emissão.

 

O que caracteriza uma planta invasora?

A grande diversidade de plantas invasoras implica que as suas características sejam diversas. No entanto, há algumas características que são comuns a muitas destas plantas, por exemplo:

– têm crescimento rápido e/ou grande capacidade de dispersão

– competem mais eficientemente pelos recursos disponíveis do que as espécies nativas

– produzem muitas sementes, as quais podem ser viáveis por longos períodos de tempo e podem ser estimuladas pelo fogo, o que é particularmente grave numa área Mediterrânica como aquela em que vivemos

– no local onde são invasoras, não têm inimigos naturais uma vez que que estão deslocadas do seu local de origem

– reproduzem-se vegetativamente sem necessidade de produção de sementes para dispersar.

Estas características não estão necessariamente todas presentes numa espécie invasora. Adicionalmente, outras características podem contribuir para o comportamento invasor das espécies.

 

O Jornal i na secção “Saberás tu…”, que resulta de uma colaboração com a Ciência Viva, a 19 de Outubro de 2015, explicou o que são plantas invasoras de uma forma resumida:

saberas tu - i - plantas invasoras

 

 

Porque representam um problema?

Apesar dos aspetos positivos que terão justificado, por vezes, a introdução de espécies invasoras, estas são responsáveis por muitos impactes negativos, muitas vezes de difícil e dispensiosa resolução e, em alguns casos, irreversíveis. Entre os impactes negativos são de referir:

1) impactes económicos elevados, quer ao nível da produção, nomeadamente quando são espécies que invadem áreas agrícolas, florestais ou piscícolas, quer na aplicação de medidas de controlo e recuperação de sistemas invadidos – a nível Europeu, uma estimativa feita recentemente refere perdas próximas a 10 biliões €/ano associadas às espécies invasoras (Hulme et al. 2009);

2) impactes na saúde pública, quando são espécies que provocam doenças, alergias, ou funcionam como vetores de pragas;

3) diminuição da disponibilidade de água nos lençóis freáticos, no caso de espécies muito exigentes no seu consumo, implicando perdas avultadas neste recurso que é escasso em muitas partes do mundo;

4) impactes no equilíbrio dos ecossistemas conseguido ao longo de milhares de anos de evolução, sendo atualmente uma das principais ameaças à biodiversidade. A este nível, inclui-se, por exemplo, a alteração dos ciclos biogeoquímicos (ciclo do carbono e do azoto), a uniformização dos ecossistemas, a alteração dos regimes de fogo e das cadeias alimentares, e a competição com espécies nativas chegando, por vezes, a substituí-las completamente.

Neste contexto, as espécies invasoras são uma das maiores ameaças ao bem-estar ambiental e económico do planeta.

 

Todas as plantas exóticas são invasoras?

Não. Muitas plantas exóticas não têm comportamento invasor. Considerando todas as plantas exóticas que são introduzidas (círculo a cheio, na Figura), a maioria permanece com uma distribuição restrita aos locais onde foram colocadas. Outras podem florir e até reproduzir-se ocasionalmente, mas não chegam a formar populações que se automantêm, dependendo de introduções repetidas para a sua persistência – plantas casuais.

Destas, uma fração estabelece-se para além do local de introdução inicial, reproduz-se persistentemente e forma populações que se mantêm, sem a intervenção direta do Homem, permanecendo em equilíbrio em habitats seminaturais, durante um tempo variável. Quando tal sucede, diz-se que essas plantas estão naturalizadas.

Numa fração das espécies naturalizadas, o equilíbrio pode ser interrompido por um qualquer fenómeno que estimule o aumento rápido da sua distribuição (o estímulo pode ser uma perturbação natural, como a adaptação de um agente que disperse as sementes ou de um polinizador, a ocorrência de uma tempestade ou mudanças climáticas; ou uma perturbação causada pelas atividades humanas, como alterações do uso do solo, a ocorrência de um incêndio ou, inclusivamente, o controlo de outra espécie invasora.), desencadeando o processo de invasão biológica.

Algumas espécies adaptam-se muito facilmente e revelam comportamento invasor logo após a sua introdução num novo território, aparentemente sem necessidade de qualquer estímulo.

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Principais etapas de um processo de invasão biológica.

 

Muitas das perturbações acima referidas traduzem-se na abertura de clareiras, o que constitui uma excelente oportunidade para uma espécie invasora se fixar. Tendo em conta as alterações globais, é provável que algumas destas perturbações se tornem mais frequentes, o que poderá agravar e acelerar processos de invasão biológica.

O subsequente aumento da distribuição de uma espécie invasora (curva ascendente, na Figura) depende da sua taxa de crescimento e reprodução, da eficiência dos seus mecanismos de dispersão e das características do habitat invadido. De forma geral, habitats bem conservados são mais resistentes à invasão, mas nem sempre.

 

 

Referência citada:

Hulme PE, Pysek P, Nentwig W, Vilà M (2009) Will threat of biological invasions unite the European Union? Science, 40-41.

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