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Cuidados a ter para evitar picadas de vespa-asiática (ou nativas)

O aumento de vespa-asiática (Vespa velutina), espécie invasora em Portugal, e um ano com condições climáticas particularmente favorável ao desenvolvimento de vespas em geral, faz com que se observem mais casos de picadas do que em anos anteriores, pelo que é preciso atenção especial para as evitar. Não é preciso alarmismo, mas é preciso ter mais cuidado.

As vespas sociais1 são insectos com um ciclo de vida anual e por esta altura do ano começam a ver-se mais ninhos, pelo que é importante aprender a conhecer as diferentes espécies e respectivos ninhos e os seus comportamentos para evitar picadas, que ocorrem especialmente quando se perturbam os seus ninhos.

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Da esquerda para direita: vespa asiática (Vespa velutina), vespa nativa (Vespa crabro), vespula (Vespula sp. ou Dolichovespula sp.) perto do ninho, mão picada por vespa.

 

Como evitar perturbar ninhos ou vespas, evitando picadas? 

A maioria dos casos de picadas é devido a ninhos enterrados ou perto do solo que sejam perturbados por vibrações. Operações que promovam vibrações, como limpezas da vegetação, aparo de sebes, regas, limpeza de fachadas ou muros com jactos, passagem por caminhos estreitos rodeados por vegetação, etc., podem desencadear uma resposta de defesa dos ninhos por parte de todas as vespas sociais. Por outro lado, os ninhos mais altos, de forma geral, só em casos de corte do seu suporte criam problemas.

No verão encontram-se muitas vespas em algumas flores, frutos maduros e nas meladas que algumas plantas libertam, como os ciprestes e salgueiros, sem que nessas circunstâncias as vespas se tornam agressivas. Para evitar esta libertação de melada deve-se reduzir a rega dessas plantas. Quando as vespas são atraídas pela melada que liberta os pulgões em pessegueiros, por exemplo, uma simples pulverização no final do dia com água com qualquer tipo de sabão, líquido da louça, pó diluído de lavar a roupa, ou mesmo sabão em barra é suficiente para eliminar a fonte do problema e uma mangueirada com água no dia seguinte resolve geralmente o problema.

Nas zonas mais afectadas por esta espécie, a sua presença começa a interferir com a realização das operações culturais de prevenção aos incêndios florestais e de outras que perturbem os ninhos, pelo que é preciso muito cuidado.

 

As picadas são perigosas? O que fazer?

Uma picada simples de vespa é em geral apenas dolorosa e pode provocar um inchaço da zona em questão. Quando a picada é situada numa zona sensível como o pescoço é sempre conveniente dirigir-se a um centro de saúde. Os casos de alergia não são frequentes, mas no caso de fazer alergia deve ligar ao 112 ou dirigir-se de imediato a um centro de saúde ou hospital.

A picada da vespa-asiática (Vespa velutina), sendo apenas uma, não difere da das vespas nativas, por exemplo Vespa crabro. No entanto, no caso de picadas múltiplas, por exemplo em resposta a perturbação de um ninho de grande dimensão, deve procurar socorro urgente, mesmos não sendo a pessoa alérgica, devido à quantidade de veneno que pode afectar órgãos vitais inclusivamente a longo-prazo.

 

O que fazer se encontrar ninhos ou vespas, incluindo vespa-asiática?

Se descobrir um ninho de vespa que não seja de  vespa-asiática, e se este não estiver num lugar que ameace a sua segurança, pode aproveitar para observar, com calma e cuidado, o comportamento fascinante destes insectos sociais. As vespas são muito úteis na regulação dos ecossistemas e de muitas pragas, até o final do seu ciclo, nos bons tempos do outono, e poderá comprovar que não são agressivas nestas circunstâncias.

No entanto, no caso do ninho ser de Vespa velutina deve avisar os serviços competentes (“contatos” no final do documento) do seu município e/ou registá-lo na plataforma internet www.sosvespa.pt  Não deve, em qualquer circunstância, tentar destruir o ninho pelos seus próprios meios.

Veja o Plano de Ação para a vigilância e controlo da Vespa velutina em Portugal.

 

Insectos que se organizam em colónias com diferentes castas de indivíduos: a rainha, com funções reprodutoras; as obreiras, fêmeas estéreis que cuidam e alimentam as larvas e defendem a colónia; e os machos que fecundam a rainha. As formigas, térmitas, algumas abelhas e vespas são insectos sociais.

 

Artigo realizado com a colaboração da Associação NATIVA – NATureza, Invasoras e Valorização ambiental.

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