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Requalificação das arribas da Foz do Arelho atenta às invasoras

O projecto de requalificação das arribas da Foz do Arelho pretende fazer mais do que recuperar os espaços públicos: tem também especial atenção ao controlo de plantas invasoras e a introdução de autóctones.

Este projecto tem atraído a atenção de publicações especializadas em arquitectura paisagista e de media nacionais, foi destaque no número de Dezembro da World Landscape Architecture(.pdf) e no Atlas of World Landscape Architeture.

Falámos com a autora do projecto, a arquitecta Nadia Schilling, sobre como é que o controlo de plantas invasoras foi integrado na concepção deste trabalho.

44-600x399Que problemas existiam com plantas invasoras no local?

Relativamente à vegetação, o problema existente nas arribas da Foz do Arelho relaciona-se com proliferação descontrolada das espécies Arundo donax e Carpobrotus edulis, que pela sua competição interespecífica, têm impedido o desenvolvimento da vegetação espontânea característica das dunas e arribas existentes. Mais recentemente, foram ainda identificadas na proximidade da área de intervenção, algumas acácias que terão de ser controladas com alguma urgência.

Quando me foi adjudicado o projecto, não havia, por parte da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, consciência da necessidade do controlo de infestantes na área de intervenção. Uma vez exposto o problema, e tendo sido esclarecido que o desenvolvimento da vegetação autóctone é fundamental na consolidação das arribas, conseguiu-se que o projecto incluísse medidas de controlo de infestantes. Definiu-se, no entanto, que este conjunto de acções fariam parte de uma primeira fase, e que esta teria de ser seguida por outras, que não se cinjam à área de intervenção deste projecto.

Que tipo de intervenção de remoção e controlo de invasoras foi/está a ser feito?

A área de intervenção insere-se numa zona natural de arriba. Deste modo, recorreu-se apenas a um controlo físico das espécies identificadas como invasoras, tendo ficado definido em caderno técnico de encargos que esta seria feita pela remoção sistemática de rizomas. Definiu-se ainda um período mínimo de dois anos de manutenção, que venha a assegurar um controlo prolongado dessas mesmas espécies.

Que espécies autóctones serão colocadas para substituir as invasoras?

A renaturalização e plantação de vegetação autóctones foi considerada fundamental na regeneração dos espaços de duna e arriba da área de intervenção, tendo em vista a sua consolidação. Antes de se vançar com o projecto foi feito um levantamento inicial das espécies espontâneas existentes na área, e foi apenas com base nessa informação, que se avançou para um plano de intervenção. Foi então proposta a plantação de algumas espécies integrantes das comunidades de Dunas, Arribas e Matos do Superdistrito Costeiro Português, integradas no Sector Divisório Português e presentes na área de projecto:

Pistacia lentiscus

Pistacia lentiscus

– Armeria welwitschii
– Brachypodium phoenicoides
– Calluna vulgaris
– Cakile maritima
– Crithmum maritimum
– Daphne gnidium
– Frankenia laevis
– Helichrysum decumbens
– Pistacia Lentiscus
– Ulex europaeus

Como arquitecta paisagista, acha que existe consciência por parte de outros profissionais da classe dos problemas causados pelas plantas invasoras e qual é a sua perspectiva sobre o tema?

Penso que os arquitectos paisagistas têm a obrigação de ter consciência dos problemas causados pelas plantas invasoras, pelo tipo de formação académica que têm. Quando estudei na Universidade de Évora, havia uma preocupação curricular nesse sentido, que foi fundamental na identificação dos problemas que representam as infestantes e do combate dos mesmos (não sei como são as coisas hoje em dia, com as novas licenciaturas de Bolonha). Face a esta consciência/sensibilidade do Arquitecto Paisagista, sou ainda da opinião que o mesmo tem um papel importante na educação dos outros grupos profissionais com quem trabalha, assim como dos seus clientes (quer sejam particulares, entidades públicas ou privadas).

 

Podem também ver um vídeo realizado pelo jornal Público sobre este projecto.

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