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Baccharis halimifolia

Nova espécie: 

Arbusto dioico, de até 4 m de altura, muito ramificado, com folhas pequenas de margens dentadas e flores esbranquiçadas com aspeto peludo nos indivíduos femininos.

Nome científico: Baccharis halimifolia L.

Nome vulgar: bacaris

Família: Asteraceae/Compositae

Estatuto em Portugal: espécie invasora (listada no Decreto-Lei nº 92/2019, de 10 julho) e incluída na lista de espécies que suscitam preocupação na União Europeia, pelo Regulamento (UE) n. o 1143/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho de 22 de outubro de 2014).

Nível de risco: Em avaliação para Portugal

Sinonímia: Baccharis axillaris Mart. ex Baker, Baccharis halimifolia var. angustior DC., Baccharis halimifolia var. halimifolia, Conyza halimifolia Desf.

Data de atualização: 30/12/2021

Ajude-nos a mapear esta espécie na nossa plataforma de ciência cidadã.

 

Como reconhecer
Arbusto caducifólio, dioico, de até 4 (6) m de altura, frequentemente muito ramificado.

Folhas: alternas, obovadas, de 2 - 6 (7) cm de comprimento, acunheadas na base e agudas no ápice, com as margens dentadas (tendendo a ser lisas nas folhas superiores) e pequenos pontinhos na superfície.

Flores: minúsculas, esbranquiçadas, as femininas separadas das masculinas (em plantas distintas) e reunidas em pequenos capítulos de até 6 mm, por sua vez formando cachos ao longo dos raminhos.

Frutos: cipsela obovoide, de até 1 mm, comprimida e com nervuras, com papilho de pelos esbranquiçados/ prateados de ca. 8 mm .

Floração: agosto a outubro.

 

Espécies semelhantes
Baccharis spicata é semelhante a Baccharis halimifolia L., mas distinguem-se porque a segunda tem folhas alternas (e a primeira decussadas) e aparece mais em sapais e zonas alteradas próximas do mar, enquanto B. spicata surge em margens de vias de comunicação e outras áreas perturbadas mas mais afastadas do mar.

Há outras espécies de Baccharis semelhantes mas, tanto quanto se sabe, não ocorrem no nosso território.

 

Características que facilitam a invasão
Reproduz-se tanto por via sexuada como vegetativamente por meio de rebentos de raiz; tem um crescimento muito rápido e regenera de touça após o corte. Produz muitas sementes as quais têm uma boa capacidade de dispersão pelo vento (até 5-6 km), embora percam a sua viabilidade cedo (viáveis até 14 meses). Após a ocorrência de incêndios restabelece-se sem problemas, devido à sua capacidade de regeneração. Adapta-se bem a solos pobres em azoto e fósforo e é tolerante à salinidade e a inundações periódicas.

Área de distribuição nativa
Costa Este da América do Norte, do Maine ao Texas.

 

Distribuição em Portugal

Portugal Continental (Minho - populações detetadas em Esposende).

 

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.   

                        

Outros locais onde a espécie é invasora
Europa (Reino Unido, França, Espanha, Bélgica, Itália), Oceânia (Austrália).

 

Razão da introdução
Provavelmente, introduzida como ornamental em zonas costeiras.

 

Ambientes preferenciais de invasão
Naturaliza-se com facilidade em sapais e zonas alteradas próximas do mar, mas também pode ocorrer em habitats mais interiores, incluindo pastagens, campos antigos, valas e bermas de estradas.

Impactes nos ecossistemas
Causa impactes em ecossistemas costeiros e em sapais, alguns destes ecossistemas com grande valor ecológico, levando a perda de biodiversidade e simplificação das comunidades nativas.

 

Impactes económicos

Potencialmente, custos elevados na aplicação de medidas de controlo. Pode reduzir o valor das pastagens quando ocorre nesse habitat.

 

Outros impactes
Devido à elevada produção de pólen é considerada uma espécie alergénica.

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua correta aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As primeiras medidas a tomar devem ser preventivas, deixando de usar esta espécie como ornamental, substituindo-a por espécies autóctones. É também importante que os restos das podas nunca sejam depositados em meio natural ou outros locais onde possam enraizar e dar origem a novas plantas

As metodologias de controlo usadas em Baccharis halimifolia incluem:

 

Controlo físico
Arranque: método eficaz quando as plantas são jovens e com raízes pouco profundas, ou quando as densidades são baixas. Deve usar-se, sempre que possível, incluindo remoção das raízes. Começar pelas plantas femininas isoladas (pode ser necessário recurso a máquinas dependendo do tamanho dos indivíduos), para diminuir a capacidade de re-invasão e dispersão. Deve ser avaliado o risco de erosão o que pode limitar as áreas em que este método pode ser aplicado. À partida será mais adequado para indivíduos adultos até ca. 1,5 m (que resultaram de germinação) e que ocorram em baixa densidade. As plantas arrancadas não devem ser deixadas no terreno para evitar que voltem a enraizar – devem ser removidas (por exemplo, para fornos/ locais de incineração) ou então empilhadas na área onde foram cortadas mas garantindo que as raízes não ficam em contacto com o solo.
Métodos mecânicos: eficiência reduzida devido à capacidade de regeneração vegetativa (de touças e raízes) destas plantas; estes métodos mostraram-se eficazes apenas contra plântulas que tenham um sistema radicular pouco desenvolvido.

Tanto o corte como o arranque devem ser realizados antes da floração, para evitar a formação e dispersão das sementes. Ainda assim, depois de remoção de plantas adultas femininas (produtoras de semente) é expectável que muitas sementes germinem, pelo que isso deve ser tido em consideração e devem ser assegurados controlos de continuidade. A sombra pode diminuir a germinação. Nos casos de invasões já estabelecidas (com formação de sementes), deve repetir-se a operação durante vários anos para esgotar o banco de sementes no solo.

 

Controlo biológico
Principalmente na Austrália, foram estudados numerosos inimigos naturais provenientes da região de origem da planta, nomeadamente, insectos desfolhadores como Trirhabda baccharidis (Coleoptera), Aristotelia ivae (Lepidoptera) e Bucculatrix ivella (Lepidoptera), insectos formadores de galhas como Rhopalomya californica (Diptera), predadores de sementes como Ochrimnus mimulus e brocas dos caules como Oidaematophorus grandis. Não foram realizados testes de especificidade em Portugal pelo que nenhum destes organismos está disponível para utilização no nosso território.

 

Controlo químico
O uso de herbicidas pode proporcionar um controlo mais a longo prazo. No entanto, para além de implicar custos elevados, devem ter-se  sempre em conta os possíveis efeitos negativos em termos ambientais.

Pode aplicar-se corte seguido de aplicação de herbicida na touça, nos segundos seguintes, ou pulverização dos rebentos que se formam após corte. Pode usar-se, e.g., glifosato a ca. 50% do produto comercial; também se pode usar triclopir). É expectável que até ca. 25% das touças rebentem, pelo que são necessários vários controlos de continuidade. Esta aplicação é recomendada no outono. Este método tem eficácia relativamente boa, especialmente nos espécimes em situações de stress (por exemplo, se ocorrem em zonas muito secas, …); deve garantir-se que o material cortado é devidamente “encaminhado”, em especial para impedir que frutos existentes nas plantas possam servir para dispersar.

 

Controlo integrado

A melhor abordagem é geralmente conseguida ao combinar diferentes métodos. O controlo pode incluir métodos químicos, mecânicos e fogo e biológicos (ainda não disponível em Portugal) combinados com mudanças na gestão de terrenos para se adequar à situação.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

CABI (2012) Baccharis halimifolia. In: Invasive Species Compendium. CAB International, Wallingford, UK. Disponível: http://www.cabi.org/isc/ [Consultado 25/03/2020].

Gallastegui MH, Prieto JAC (2010) Flora alóctona invasora en Bizkaia. Instituto para la Sostenibilidad de Bizkaia, Vizkaya, 74 pp.

Sanz-Elorza M, Sánchez EDD, Vesperina ES (2004) Atlas de las plantas alóctonas invasoras en España. Dirección General para la Biodiversidade, Madrid, 100 pp.

The Plant List (2013) Baccharis halimifolia. Versão 1.1. Disponível: http://www.theplantlist.org/ [Consultado 25/03/2020].

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (2020) Baccharis halimifolia. In: UTAD Jardim Botânico. Vila Real, PT. Disponível: https://jb.utad.pt [Consultado 25/03/2020].