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Gunnera tinctoria

Erva perene até 2 m, rizomatosa, de folhas ásperas de grandes dimensões e flores verdes muito reduzidas agrupadas em espigas cónicas.

Nome científicoGunnera tinctoria (Molina) Mirbel

Nome vulgar: gigante

FamíliaGunneraceae

Estatuto em Portugal: espécie invasora (listada no Decreto-Lei nº 92/2019, de 10 julho, na lista de espécies que suscitam preocupação na União Europeia, pelo Regulamento (UE) n. o 1143/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho de 22 de outubro de 2014 e listada no Plano regional de erradicação e controlo de espécies de flora invasora em áreas sensíveis)

Nível de risco: 27 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), por Morais et al. (2017), segundo o qual valores acima de 13 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2017.

SinonímiaGunnera chilensis Lam., Gunnera scabra (Ruiz.&Pav.), Panke tinctoria Molina

Data de atualização: 26/06/2020

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Avistamentos actuais da espécie: 
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Como reconhecer

Erva perene até 2 m, com rizomas volumosos; caules com espinhos avermelhados, de folhas lobadas, ásperas e de grandes dimensões e flores verdes minúsculas.

Folhasalternas, verde-escuras, com 0,8 m x 1,5 m, com 5 a 7 lobulos, ásperas e pubescentes em ambas as páginas. Pecíolos longos (até 1,5 m) cobertos com espinhos, suculentos e comestíveis na primavera.

Floresunissexuais e hermafroditas, verdes muito pequenas (até 1 mm), sésseis,  apétalas e com 2 tépalas, reunidas em espigas até 1 m comprimento, normalmente 3 a 4 por planta.

Frutos: drupas vermelho-alaranjadas, oblongas, com 1,5-2 mm de diâmetro.

Floração: março a junho.

 

Características que facilitam a invasão

Reproduz-se por via seminal, produzindo um elevado número de sementes (cada planta pode entre 80000 e 250000 sementes) que são facilmente dispersas por aves ou pela água.

Também se reproduz por via vegetativa, por fragmentos de rizomas, apresentando taxas de crescimento muito elevadas. Os rizomas normalmente crescem próximo da superfície do solo, podendo atingir 2 m de comprimento.

Área de distribuição nativa

América do Sul (Colômbia-Chile).

 

Distribuição em Portugal

Arquipélago dos Açores (ilha de São Miguel).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

 

Áreas geográficas onde há registo da presença de Gunnera tinctoria

 Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (França, Irlanda, Reino Unido), Austrália, Nova Zelândia, oeste dos EUA (Califórnia).

 

Razão da introdução

Para fins ornamentais.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Margens de vias de comunicação e de linhas de água. Também invade áreas perturbadas, abandonadas.

Impactes nos ecossistemas

Forma áreas densas impenetráveis que impedem o desenvolvimento da vegetação nativa.

 

Impactes económicos

Custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

Em linhas de água pode obstruir os canais de drenagem aumentando, consequentemente, o risco de inundações.

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Gunnera tinctoria incluem:

 

Controlo físico

Arranque manual: metodologia preferencial para plântulas e plantas jovens e áreas invadidas de pequena dimensão. Em substratos mais compactados, o arranque deve ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular. Tanto quanto possível deve garantir-se que não ficam rizomas e/ou fragmentos dos rizomas de maiores dimensões no solo pois estes regeneram muito vigorosamente diminuindo a eficácia da metodologia.

 

Controlo físico + químico

Corte combinado com aplicação de herbicida. Corte dos caules tão rente ao solo quanto possível e posterior aplicação de herbicida (princípio ativo: triclopir2,4-D) na zona de corte.

 

Controlo químico

Aplicação foliar de herbicida: metodologia aplicável a áreas invadidas de maiores dimensões. Pulverizar com herbicida (princípio ativo: triclopir, 2,4-D) limitando a aplicação à espécie-alvo. Dever ser feita na altura de maior crescimento da planta.

 

Visite a página Como Controlar para informação adicional e mais detalhada sobre a aplicação correta destas metodologias.

Consulte informação mais detalhada sobre Medidas e custos para prevenção, detecção precoce, erradicação rápida e gestão desta espécie, de acordo com os documentos técnicos de suporte ao Regulamento Europeu nº 1143/2014, elaborados pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) em colaboração com IUCN Invasive Species Specialist Group.

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Marchante H, Morais M, Freitas H, Marchante E (2014) Guia prático para a identificação de Plantas Invasoras em Portugal. Coimbra. Imprensa da Universidade de Coimbra. 207 pp.

Morais MC, Marchante E, Marchante H (2017) Big troubles are already here: risk assessment protocol shows high risk of many alien plants present in Portugal. Journal for Nature Conservation 35: 1–12

Penacho ML, Amaral RS, Malveiro A, Machado CAS, Aranha JTM (2009) Controlo de invasoras Hedychium gardnerianum e Gunnera tinctoria em áreas florestais na ilha de S. Miguel – Açores. In: SPCF (ed) 6º Congresso Florestal Nacional: A floresta num mundo globalizado, Ponta Delgada, Açores, pp. 802-806.

Penacho ML, Amaral RS, Malveiro A, Machado CAS (2011) Controlo da invasora Gunnera tinctoria em áreas florestais na ilha da São Miguel – Açores. In: Gabriel R, Elias RB (eds) Workshop Prevenção e controlo de espécies invasoras. Universidade dos Açores, Angra do Heroísmo, Açores, pp. 51-52.

Pheloung PC, Williams PA, Halloy SR (1999) A weed risk assessment model for use as a biosecurity tool evaluating plant introductions. Journal of Environmental Management. 57: 239-251.

Silva L, Corvelo R, Moura M (2008) Gunnera tinctoria (Molina) Mirbel. In: Silva L, Land EO, Luengo JLR (eds) Flora e fauna terrestre invasora na Macaronésia. Top 100 nos Açores, Madeira e Canárias. Arena, Ponta Delgada, pp. 403-405.